Novembro 03 2012

 

Quando me inscrevi no Partido Socialista duas motivações me moveram. Por um lado uma identificação genérica com a ideologia, o programa, a orientação política e a cultura do PS. Uma outra motivação foi, confesso, particularista: a minha terra, Vila Franca de Xira, era governada por Daniel Branco, do Partido Comunista, que tinha, nessa altura, iniciado uma fase da sua governação assente no "inchamento" urbanístico”, com todas as consequências daí resultantes. Assistia ao início da degradação da qualidade de vida no meu concelho e julguei que deveria assumir uma posição mais proativa.

Passaram-se duas décadas e muitas coisas mudaram. Porém,

  1. A situação que critiquei à vereação do PCP não foi melhorada. Pelo contrário, agravou-se sob a responsabilidade do Partido Socialista e da sua aliança estratégica com os negócios do betão, à custa de tudo o resto;
  2. Em vez de uma visão estratégica de desenvolvimento sustentável aproveitando as muitas vantagens que o concelho possuía, seguiu-se uma lógica taticista na condução da política concelhia, destinada a conservar o grupo do poder e a sua liderança;
  3. No plano interno o estilo dessa liderança é contrário aos princípios do debate e da participação. Prevalece o interesse e a disputa de lugares que tem vindo a fazer com que o PS perca em militantes o que ganha em acordos de compadrio.
  4. Além da diminuição do número de militantes, reduz-se a efetiva participação na vida política; verifica-se a exclusão dos cidadãos-militantes mais interessados no interesse coletivo, a favor dos mais treinados para a ocupação do aparelho;
  5. Foi atingido o limite desta lógica de governação concelhia com a indicação, pela CPC, do candidato da sua preferência para encabeçar a lista às próximas eleições para a Câmara. Independentemente das qualidades possuídas, é óbvio que o camarada Mesquita não possui as qualificações mínimas para o exercício do cargo, e apenas a degradação da qualidade da vida política interna permite que se chegue sequer a ponderar que alguém com o seu perfil possa ser o candidato;
  6. Tudo se passa como se as coisas tivessem sido conduzidas de tal modo que a seguir a Maria da Luz Rosinha só pudesse surgir alguma coisa ainda pior, o que tornará sofrível um conjunto de mandatos deploráveis.

Pretendo continuar a militar no Partido Socialista, mas não quero ser conivente com o estado de coisas a que se chegou no concelho de Vila Franca de Xira. Por isso, como socialista e como cidadão, aqui as quero denunciar.

publicado por cafe-vila-franca às 18:05

e eu cá estarei para descobrir as verdades por trás destas pessoas que comandam os destinos da nossa cidade!
D7 a 4 de Novembro de 2012 às 12:38

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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