Agosto 19 2009
1. Na página oficial do CDS-PP pode ler-se: “O CDS-PP e a CGTP manifestaram-se, esta segunda-feira, no final de um encontro na sede nacional do CDS, sobre desemprego, em total sintonia, considerando que há temas que precisam de ser debatidos e políticas melhoradas e ainda que os portugueses têm de ser uma prioridade.” Não é novidade esta consonância, só aparentemente estranha. Já recentemente, quando o PCP e a FRENPROF tentaram recriar com os professores o ambiente de ingovernabilidade que caracterizou certo momento da história portuguesa com que, saudosistas, ainda sonham, o Partido Popular, como o PSD e o BE, juntaram-se sem complexos à agitação contra as reformas no sistema educativo. Não se trata apenas de mero oportunismo político – todos querem cavalgar o compreensível descontentamento que as reformas sempre geram nalguns segmentos dos eleitores – com vista a atingir o objectivo comum da esquerda “queque”, da esquerda conservadora, da direita mais ou menos ao centro e da direita populista: derrotar o Partido Socialista. Estas convergências revelam que, para lá de todas as controvérsias e possíveis erros, apenas uma força política está neste momento interessada e se revela capaz de promover a modernização do país e enfrentar a contestação dos interesses instalados. Quer ela se manifeste na rua, quer assuma a forma de conspiração nas sociedades secretas. 2. Por falar em conspiração, não resisto a transcrever o que escreveu Ferreira Fernandes no Diário de Notícias de 19 de Agosto de 2009 a propósito da notícia do jornal “Público” sobre uma alegada vigilância do governo sobre a Presidência da República: “Estará o Palácio de Belém vigiado? (…) Se sim, lá ficam sem argumentos os que defendem o aumento dos poderes presidenciais porque ninguém ouve o Presidente. Estou a brincar com coisas sérias? Estou, mas nada se comparado com o silêncio do Presidente depois de um jornal sério ter dito que um homem do Presidente disse que o Presidente estava sob escuta. Um homem? (…) assessor da Presidência que insinua um crime contra um símbolo da Nação e não dá a cara não é homem não é nada. Um jornal sério? Sim, apesar de, nessa notícia, ao falar-se de “João Lobo Antunes”, se pôr uma foto de “Nuno Lobo Antunes” e, linhas antes, chamar-lhe “António Lobo Antunes” (…). (…) estou estupefacto. Estupefacto? Sim, e ponho aí também a palavra suspeita. Suspeita? Sim, para se irem habituando: durante dois meses é a palavra que mais vão ouvir”. Insinuações, suspeitas, calúnias, conspirações. Nada disso existe, está claro. Nem foi isso que impediu a esquerda do PS, liderada por Ferro Rodrigues, de chegar ao Governo. Nem tão pouco, com o caso “Freeport”, foi com esse tipo de armas que se conseguiu recuperar o PSD de uma triste imagem que a sua líder, porém, insiste em manter. 3. Em qualquer dos casos, sempre com o envolvimento do sistema judicial e policial (voltarei ao tema noutra ocasião) e da comunicação social, que de séria, em geral, apenas tem para apresentar umas poucas caras dos que ainda sabem o que é a ética jornalística. De resto…Um exemplo: em editorial de 18 de Agosto de 2009, José Manuel Fernandes, director do jornal “Público”, defende um programa americano para a educação que inclui, como um dos pontos relevados, a consideração dos resultados dos alunos na avaliação dos professores, para se poder distinguir os melhores 10% dos piores 10%, indiferenciáveis sem essa avaliação. Outras medidas poderiam ser referidas. Defendidas como imprescindíveis na apreciação das propostas de Barak Obama, foram essas mesmas propostas metidas no rol dos ataques quotidianos – e reveladores da cómoda combinação entre ignorância e impunidade que protege estes escribas a soldo – com que José Manuel Fernandes há anos vem perseguindo a equipa governativa do Ministério da Educação. 4. Sério, claro está, não poderia ser um jornal que abre o seu espaço de opinião a um tal Santana Castilho, cuja missão é destilar fel contra o mesmo Ministério, sempre da forma desmiolada e cretina que patenteia ao criticar, na edição de dia 19 de Agosto, a acção da Parque Escolar na recuperação de escolas que há décadas se degradavam sem qualquer esboço de protesto ou acção, como se a escola pública fosse para ir deixando cair – literal e materialmente falando – no pântano da vergonha dos resultados do sistema. Luís Capucha
publicado por cafe-vila-franca às 19:01

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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