Fevereiro 13 2013

 

E agora, Crato, a culpa do desemprego ainda é das "Novas Oportunidades"? Que fizeste tu, Cratino, para reduzir o desemprego, como exigiste à INO que fizesse?

A situação social do país está a degradar-se a passos largos e o desemprego é um sinal inequívoco.

-        No último trimestre de 2012 a taxa de desemprego atingiu o valor, inacreditável, de 16,9%. São mais de 2,9 pontos percentuais do que no semestre homólogo do ano passado e mais 1,1 pontos percentuais do que no trimestre anterior;

-        A taxa média de desemprego ao longo de 2012 foi 15,7%;

-        Estão desempregadas 923,2 mil pessoas, o que representa um crescimento de 19,7% em relação ao trimestre homólogo e 6,0% do que no terceiro trimestre de 2012;

-        Em relação a Dezembro de 2011 estão desempregadas mais 152.2 mil pessoas e em relação a Setembro de 2012 são mais 52,3 mil;

-        O desemprego entre os jovens atingiu os 40%!

-        Os segmentos em que o desemprego mais cresceu foram os jovens, as pessoas à procura de novo emprego, os desempregados de longa duração e as pessoas com qualificação de nível superior;

-        O número de desempregados há mais de 12 meses (DLD) é de 519,1 mil pessoas, ou seja, 56% dos desempregados;

-        Os chamados "desempregados desencorajados", pessoas que desistiram de procurar emprego depois de verem goradas as tentativas ano após ano, são 121 mil, quando eram 33 mil em 2009;

-        O desemprego cresce e o emprego decresce: no quarto trimestre de 2012 os ativos empregados eram apenas 4.531.800, menos 203,6 mil pessoas, ou menos 4,3%, que no ano anterior;

O pior é que não há um único sinal de esperança que as coisas mudem. O governo tinha feito as suas contas para 2012 com base numa taxa de desemprego de 13,4%. Foi o que se viu! Não aprendeu nada e, para 2013 contou, na elaboração do Orçamento de Estado, com uma taxa de 15,5%, que já está ultrapassada e ainda agora o ano se iniciou.

A destruição de postos de trabalho foi muito superior ao aumento da taxa de desemprego e apenas a emigração mascarou a real situação de depressão económica e de recessão em espiral.

No início do novo século começou a subir lentamente a taxa de desemprego, em função de um processo de reconversão da economia. Uma das características desse processo era a de que se criavam postos de trabalho com qualificações superiores e intermédias, embora se destruíssem ainda mais postos de trabalho pouco qualificados. Agora o desemprego aumenta entre os menos qualificados, e ainda mais entre os possuidores de maiores qualificações. Isto é, a modernização da economia está parada e o crescimento não será retomado em breve. O desemprego e o DLD continuarão a crescer em resultado das políticas macroeconómicas e económicas do governo.

Perde a economia e perdem as pessoas. O governo cortou nos valores e na duração do subsídio de desemprego, deixando as famílias afetadas numa situação de extrema carência. Agravada aos limites da indignidade quando o desemprego atinge todos os ativos de um mesmo agregado doméstico.

Quem perde o emprego não perde só rendimentos. Perde o sentido de utilidade social e económica, vê-se desvalorizado no seu estatuto socio-profissional, perde a capacidade de honrar compromissos como empréstimos, vê-se frequentemente incapaz de manter os filhos a estudar, acaba por sentir vergonha e desespero. Pode, se o desemprego se prolonga, perder as aptidões e competências que possuía, tornando-se o regresso ao trabalho tanto mais difícil quanto maior a duração da exclusão.

O país não aguenta mais estas políticas. E não pode tolerar que a chave do desenvolvimento, a educação e a qualificação da população, que tem vindo a ser desaproveitada, deixe também de ser produzida. Ao erro como princípio da governação financeira e económica (com a qual apenas ganha a banca) não deveria juntar-se o erro na educação. Mas é o que está a acontecer. Já não há pachorra!

 

publicado por cafe-vila-franca às 21:28

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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