Novembro 12 2013

A semana passada foi, para mim, cheia de paradoxos e incongruências. Talvez seja eu a ver mal o que se passa à minha volta. Se calhar a realidade está toda direitinha e seja eu que não consigo organizar a cabeça. Nesse caso, peço ajuda. Dou dois exemplos.

O Partido Socialista concelhio fez o balanço das eleições autárquicas. O que eu percebi das conversas sobre o assunto foi que os dirigentes paroquiais do PS só agora entenderam que as eleições neste concelho se disputam entre o PS e a CDU, coisa que eu venho repetindo há anos. Também não percebo outras duas coisas. Primeiro, porque é que o PS, depois de ter ganho a Câmara Municipal e duas freguesias, parece estar triste, como se tivesse perdido. Também não entendo porque é que os militantes do PS, reduzidos a pouco mais do que uma confraria de funcionários e eleitos do poder local, se digladiam para saber qual a freguesia que fez melhor ou pior campanha, se a culpa foi do PS nacional ou das secções, da conjuntura nacional ou do clima local, da comunicação social ou dos militantes que não apoiaram os candidatos, da JS ou do PS... sem nunca colocarem em questão a direção concelhia do Partido e, principalmente, a anterior presidente da Câmara, Maria da Luz Rosinha. Mal se ouve uma voz crítica e, se alguém ousa falar, cai-lhe logo tudo em cima. Mas como é que se pode fazer o balanço de um resultado eleitoral deixando passar os responsáveis máximos pelos pingos da chuva sem se molhar? A verdade porém é foi o trabalho da ex-Presidente da Câmara que foi posto em causa. É ela a responsável principal pelo divórcio entre os cidadãos e o sistema, porque optou pelo autoritarismo, pelo culto da personagem, pelo vilipêndio sobre os críticos e pela degradação do debate político que afastou os militantes do Partido e os eleitores das eleições. É responsável pelo resultado apenas sofrível do PS porque preteriu, ao longo dos anos, o fazer obra com visão estratégica em favor do licenciar obras, até ao esgotamento do território e à crise do setor da construção. Se houve obra feita, como se diz, foi a Obriverca e outros construtores que a fizeram, degradando a qualidade de vida no concelho. E ainda tem a lata de agora se candidata a chefe da concelhia do PS. Do que anda à procura? Com o apoio de quem? Porque não assume as responsabilidades e deixa este concelho respirar? Por favor, ajudem-me a esclarecer estas coisas raras e para mim incompreensíveis...

 

A semana terminou em grande, Sábado, no Ateneu Artístico Vilafranquense, na "Noite Musical Recordando Vasco Moniz". Foi bonita a festa, pá! Revi muitos amigos, embora também por lá tivessem estado muitos "amigos da onça". Conheço-os de ginjeira. Gostei particularmente da minha vizinha Amália Rodrigues, do Afonso Dias, do poema do "Chico" Braga, do Joaquim Alberto e do Grândola Vila Morena final (foi pena não ter lá estado o Fernando Castro). Como disse a nossa querida Piedade Silva no Facebook,"Parabéns à organização. Boas recordações do 34"! Fiquei confuso. Quem oficialmente estava a ser recordado era o Dr. Vasco Moniz, resistente ao fascismo, solidário e defensor da igualdade, o que o ligava, como tantos outros, aos valores do 34. Mas, ao contrário da cultura dominante nessa casa, como no Centro (depois cooperativa) Alves Redol ou na secção cultural da UDV, ele era um reformista, um amante da liberdade, um moderado (mas não menos corajoso do que os mais corajosos). Foi deputado à Constituinte eleito nas listas do PS, sem a mácula do oportunismo que se pode facilmente assacar  a outros que por lá têm andado. Daí pensar que a festa, bonita pá, me soou um pouco incongruente no título. Felizmente, porém, as dúvidas ficaram ontem desfeitas. Depois de um belo almoço com o meu irmão Tonica  a minha irmã Midete, percebi tudo. Pronto, fiquei tranquilo. A História não se repete, a generosidade daqueles tempos também não. Razões muito pragmáticas conferem sentido àquilo que ingenuamente pensei ser uma incongruência. Ou existem outras razões? Ajudem-me a compreender…

Pronto, agora vou dormir. Até amanhã "camarigueiros".

Vila Franca de Xira,11 de novembro de 2013. Viva o São Martinho!

publicado por cafe-vila-franca às 11:40

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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