Setembro 14 2009
Começou a campanha e não sei como vai acabar. Espero que termine com uma vitória da esquerda. Os debates televisivos entre os líderes partidários tiveram uma nota, acho eu, muito curiosa. Sócrates conseguiu em todos eles deslocar a discussão do balanço do seu governo para os programas da oposição. Demonstrou o que queria: pense-se o que se pensar dele, é o único candidato consistente. Teve representações verdadeiras. Representa bem o papel do político profissional, pragmático, ideologicamente descafeinado, candidato em nome do que agora chamam “esquerda moderna” (deixemos este ponto para outra ocasião). Preferia Ferro Rodrigues, claro. Mas esse não vai a votos. Paulo Portas também representa bem. É o político populista que pesca nas zonas mais profundas do conservadorismo das classes decadentes. Jerónimo de Sousa é outro bom actor. Mostra logo ao que vem: sabe que o seu programa é resgatado do caixote do lixo da história e que não defende nada nem ninguém a não ser a própria conservação do seu espaço político, que em tempos de crise atrai alguns segmentos mais tradicionais das classes populares e dos interesses de corporações pequeno-burguesas ligadas ao aparelho do estado. Vem, pois, para sobreviver enquanto esses sectores tiverem capital de queixa. Já o dogmático Louçã mostrou que a sua representação é totalmente falsa. O temível e infalível beato de espada em riste, totalmente devotado à tarefa de espiar os pecados do mundo e livrá-lo de todos os malfeitores, afinal, esconde o seu programa e a sua ideologia, como os mais oportunistas dos adversários que denuncia. Descobriu-se o embuste. Talvez resista, porém, porque a demagogia pode render em tempos como os que correm. Manuela Ferreira Leite, menos sofisticada, também representou mal. A imagem do “político que só fala verdade” foi-se. A propósito dos mais variados assuntos (o TGV é um exemplo paradigmático), o que ontem era a convicção mais profunda tornou-se hoje a ideia mais perversa. O que era imagem de coragem e seriedade revelou-se afinal cedência à pressão da rua do PCP na educação, incapacidade para romper com o amigo colorido pronunciado pela Justiça na constituição das listas, vassalagem a Jardim na questão da qualidade da democracia. Afinal, não passa de uma provinciana que tem do estado uma visão desfocada. Uma vezes roçando a tacanhez da gestão da república como se da vida doméstica se tratasse, outras vezes ensaiando o discurso do capitalismo moderno em torno das privatizações, precisamente quando o capital suspendeu, para se salvar da crise, esse discurso. Falsa e desfasada, foi o que me pareceu. Para além, claro, de um pouco gasta para estas lides. Chegámos a tão baixo nível que possa vir a ser eleita primeiro-ministro? Luís Capucha
publicado por cafe-vila-franca às 23:07

http://viveremvilafranca.blogspot.com
Pedro Calisto a 15 de Setembro de 2009 às 00:56

Inteiramente de acordo, mano.... Estás em forma.
Só esqueceste um pormenor, é que a D. Manuela é "tã feia tã feia", que nem para as criancinhas comerem a sopa. (corria-se o risco de vómito colectivo) E como se isso não bastasse tem cá um feitiozinho, que já te conto. E depois... já temos o Cavaco (o Sr. Silva, como dizia o outro). Definitivamente ela não cabe.... Não há país tão feio assim.... Acho eu!!!!
Um abraço, mano novo
tonica
António Capucha a 16 de Setembro de 2009 às 13:56

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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