Setembro 25 2009

Se os resultados das sondagens não desmobilizarem algumas pessoas que julgam ser um preço demasiado elevado a pagar pelo castigo ao governo de José Sócrates deixar que Manuela Ferreira Leite ganhe as eleições, o PS vai ganhar. O Bloco de Esquerda e o CDS/PP também. A este não lhe servirá de nada a vitória, mas também não lhe fará mal. Já ao BE as coisas podem complicar-se, porque o aumento da votação vai requerer maior responsabilidade a um partido cuja cultura é a da irresponsabilidade.

Os perdedores são o PSD e Cavaco Silva.

O PSD perde porque as intenções de voto revelam um desejo claro dos portugueses manterem o modelo social e político que temos vindo a construir, que não é perfeito (já Churchill procurava um, mas não o encontrou) e precisa de aprofundamento, mas nunca de recuo. Aprofundamento que consolide os avanços registados na igualdade de oportunidades e nas qualificações; nas políticas activas de protecção social; na modernização do trabalho de molde a adptar-se às condições de uma economia aberta. Precisa também da coragem e visão como a que permitiu a reforma na educação, para enfrentar interesses atávicos que ainda prevalecem na justiça, na regulação do mercado, na segurança e na saúde. Uma agenda exigente para o novo governo.

Cavaco Silva perde porque foi desmascarado. Que era provinciano já todos sabiam. Mas que não era pessoa em quem se confie, um vulgar intriguista, poucos suspeitavam. E o amadorismo com que intrigou fez cair a imagem de pessoa competente que possuía. Sai das eleições a mostrar que não merece o cargo que ocupa.

Segunda-feira cá estamos para ver como vão parar as modas.

Agora uma nota fora do contexto. Parece-me inconcebível o modo como a corporação dos magistrados reage ao congelamento da nota de avaliação do Juíz Rui Teixeira. Era o que faltava, atribuir uma avaliação de  "muito bom" a um Juíz que prendeu um inocente. Ele devia era pagar pelo mal que fez, não sei se simplesmente por incontida vaidade e afã de protagonismo, se por razões bem piores.

Luís Capucha

 

publicado por cafe-vila-franca às 23:34

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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