Novembro 09 2009
Situado numa posição de encruzilhada, privilegiado do ponto de vista do sistema de comunicações e transportes do país e beneficiando da vantagem comparativa da localização e concentração de meios produtivos, o concelho de Vila Franca de Xira conheceu até há algumas décadas uma relativa prosperidade, assente fundamentalmente na industrialização pesada, cruzada com a permanência de núcleos urbanos relativamente antigos e integradores. No último post desta série sobre Vila Franca de Xira deixei expressa a opinião de que o concelho perdeu entretanto centralidade administrativa ao mesmo tempo que o seu tecido económico se recompunha e empobrecia. Quanto à perda da importância administrativa, basta lembrar a saída de serviços reguladores ou responsáveis por sectores importantes como a agricultura e as comunicações. Uns ficaram centralizados em Lisboa, outros foram deslocalizados para Santarém. O ganho de peso demográfico não correspondeu sequer à capacidade de reter centros de comando e administração que conferiam centralidade a um concelho cada vez mais periférico. A perda de representação política concelhia nos órgãos de soberania nacional (por exemplo, não há na Assembleia da República um único deputado oriundo do concelho, o que nunca tinha acontecido) por um lado reflecte, e por outro lado alimentam, esta perda de importância de Vila Franca de Xira. Quanto à reestruturação do tecido económico, assistiu-se à destruição de empresas e postos de trabalho, especializando-se o território como área suburbana de apoio à capital. O traço mais notório deste processo é a desindustrialização. Restam ainda hoje na paisagem os fósseis de grandes empresas como a Cima, os descasques de arroz, a Previdente, a Mevil, a Moapão, a Argibay, a Icesa, a Eurofil. Outras foram substituídas por novos bairros. A Mague é o paradigma máximo desse processo. Persistem ainda empresas como a Solvay, as OGMA, a Tudor, a Metal, a Central de Cervejas, a Iberol, a Atral-Cipan, a Cimpor, a Cimianto, entre outras. Mas não predominam já. (continua)
publicado por cafe-vila-franca às 23:58

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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