Novembro 10 2009

 

O quadro abaixo dá uma imagem da evolução mais recente do emprego estruturado no concelho.

 

Quadro 1: Trabalhadores por conta de outrem (TCO) nas empresas localizadas no concelho de Vila Franca de Xira (%) e número de estabelecimentos por sector de actividade

 

 

(para ler o quadro, clique na imagem)

 

Os dados constantes do quadro referem-se ao emprego estruturado do sector privado. Não se contabiliza assim o emprego público (incluindo nas autarquias) nem o emprego por conta própria. O total de trabalhadores por conta de outrem na economia estruturada em 1992 era 19.863, depois de ter sido 23.193 em 1982. Em 1997 o valor era 20.773, tendo subido depois (embora não mais do que cresceu a população activa residente) para 36.087 em 2007.
 Estes valores, acrescidos dos empregos não contabilizados e retirados os que vêm de fora para trabalhar nas empresas de Vila Franca, permitem-nos estimar que será menos de metade da população activa concelhia aquela que trabalha no concelho, o que confirma a vocação deste território para dormitório.
O processo de “desindustrialização” conheceu o auge na década de 80 e primeira metade da de 1990. Mas não parou nessa altura. Assim, entre 1997 e 2007 o emprego na indústria transformadora caiu de 39,3% para 21,6% (tinha sido 68,7% em 1982 e 53,9% em 1992), sendo esse o único sector em que se verificou uma quebra dos números absolutos. O recuo do sector secundário é um fenómeno mais alargado, que aqui se viu reforçado com a substituição de terrenos industriais por edifícios dos sectores da logística, enquanto as indústrias eram empurradas para os concelhos vizinhos de Benavente, Alenquer e Azambuja.
Em 2007 o comércio por grosso e a retalho é já o maior sector, com 22,8% do emprego. Se lhe juntarmos o sector dos transportes e armazenagem (que no conjunto formam a dita logística), chegamos a um total de 32,4% (somavam 30,6% em 1997). A perda de emprego na indústria fez-se a favor das actividades administrativas e dos serviços de apoio (um sector que se autonomizou e absorve 17,3% do emprego) e da construção, que subiu de 6,4% para 9,6%.
Note-se que os serviços de apoio aqui referidos são de baixo valor acrescentado, quando comparados com as actividades de ponta de consultoria, científicas, técnicas e similares (apenas 2,4%) e com as actividades financeiras e de seguros (não mais de 1,3%, valor menor do que em 1997).
A agricultura continua a ter na Lezíria um campo de excepção altamente produtivo mas que emprega uma pequena parte da população (as empresas do sector agrícola não ocupam mais de 0,4% da população activa no sector estruturado da economia), ao passo que as pequenas explorações camponesas das colinas da margem direita foram desaparecendo ou dando lugar, cada vez mais raro, à pluri-actividade. Também esses espaços passaram a ser pasto da expansão imobiliária.
A estas transformações estruturais na direcção de sectores menos ricos e produtivos corresponde também uma diminuição da dimensão média dos estabelecimentos, que era, para todo o concelho, de 9,8 trabalhadores por estabelecimento em 1997 (quando, como sabemos, algumas das maiores unidades industriais já tinham encerrado) e passou para 9,1 em 2007. Apenas 1 estabelecimento da indústria transformadora, neste ano, tinha 1660 pessoas ao serviço. Nesse mesmo sector outros 2 estabelecimentos tinham entre 500 e 999 trabalhadores ao serviço e outro entre 250 e 499 pessoas. Nas actividades administrativas e dos serviços de apoio existia 1 estabelecimento entre 500 e 999 trabalhadores e 5 entre 250 e 499. Nesta categoria de dimensão encontrávamos 3 estabelecimentos do comércio, 1 de transportes e armazenagem, 5 de actividades administrativas e dos serviços de apoio e 1 na educação. Ao todo, em 200l apenas 15 estabelecimentos tinham mais de 250 trabalhadores. As grandes empresas, continuando a marcar alguma presença, deixaram portanto de ser, há muito, a paisagem mais marcante da economia concelhia.
Em contrapartida, verificou-se um aumento das qualificações médias dos trabalhadores. Em Vila Franca, 64,7% dos trabalhadores por conta de outrem tinham no máximo o 9º ano (71,7% é o valor no país), 24,5% o ensino secundário (16,0% no país) e 10,0% o ensino superior (12,3% no país). Assim, ganhamos nas qualificações mais baixas e intermédias, mas perdemos nas mais elevadas, o que significa que nos mantemos acima das regiões menos desenvolvidas, mas deixámos de pertencer ao grupo das mais modernas e mais utilizadoras de mão-de-obra altamente qualificada.
 
Embora sem a mesma precisão com que falamos do emprego estruturado, podemos com alguma segurança indicar algumas outras dinâmicas relevantes, de que se destacam:
  1. a rarefacção do pequeno comércio e da restauração, sector com forte potencial empregador;
  2. o crescimento dos serviços públicos de saúde e educação, que são muito importantes para a vida das pessoas – mais tarde veremos se cumprem bem ou mal a sua função no concelho – mas não são o motor da economia.
O motor da economia moderna são os serviços que incorporam mais conhecimento, e esses são raros no concelho. Não há nele, de facto, nenhuma organização do sistema de apoio à inovação. As empresas mais modernas e competitivas dos sectores produtores de bens transaccionáveis são aquelas que mais incorporam conhecimento e serviços, mas, como vimos, o nosso concelho não as tem atraído e tem até vindo a perdê-las.
(continua)

 

publicado por cafe-vila-franca às 11:12

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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