Novembro 03 2012

O país está a afundar-se. Não o país todo. Certos interesses enfunam as velas com o vento que devasta a nação dos que trabalham. Esses interesses estão porém a sentir dificuldades para impedir que a barca do governo se afunde no abismo das profundezas do inferno que ele próprio está a criar.

Quando o navio afunda, as ratazanas são as primeiras a dar o sinal, no abandono cobarde da embarcação. Na frente das ratazanas podem porém desfilar “ratos finos”. Espertos que enganam tolos com poses de valentia.

Esta verdade pode ser ilustrada com uma metáfora. Suponham que o ministro Nuno Crato, de repente, se assume contrário ao esquema de Miguel Relvas e decide dar ordens a essa grande instituição universitária que é a Lusófona para invalidar os atos que originaram o título que o seu colega de governo usurpou. Cria um conflito que, como é de prever, viabilizará a sua saída do governo que se afunda, enquanto afunda o país.

Ele, Crato, que desbaratou todo o capital de prestígio que a maledicência em “plano inclinado” lhe granjeou, sairá, na primeira leva, com a imagem falsa, mas capaz de enganar os tais tolos, de homem sério e impoluto que não cede a pressões de amigos e cumpre o seu dever. Terá de pensar em retaliações. Mas afinal, que mal lhe poderá fazer um navio afundado, um comandante destituído e um ministro desacreditado?

Entretanto, calculista, pensará: “esta saída airosa fará esquecer que desorientei as escolas com a teimosia anacrónica de um ensino orientado para conteúdos quando todo o mundo se orienta para a educação para competências; que retirei o que restava de autonomia às escolas ao negar-lhes os recursos para porem em prática o seu projeto educativo; que reduzi a educação à expressão mais simples da instrução; que destruí a credibilidade da educação profissional ao dar dela a imagem de mero recurso para quem não aprende; que liquidei a educação de adultos e com ela a expectativa de regresso à escola de milhões de trabalhadores; que comprei o “papagaio” sindicalista transformando-o num “pato mudo”, preservando os interesses dos setores mais conservadores dos professores, à custa do desemprego dos mais jovens; que descapitalizei as escolas ao retirar-lhes os recursos materiais e humanos que permitissem o desenvolvimento de projetos orientados para a equidade e a igualdade; que condenei muitas escolas públicas à degradação dos equipamentos com a paralisação e descredibilização da “Parque Escolar”; que destruí a relação com autarquias e empresas que vinham sendo parceiros cada vez mais empenhados nas tarefas da educação; que no meu mandato todos os resultados escolares pioraram”.

Quem se vai lembrar de todas estas atrocidades, quando a comunicação social me apresentar como o homem que retirou o diploma de cartão ao meu colega Relvas?

Eu, Nuno Crato, sou rato esperto, não?

O problema é que há aí uns tipos desalinhados que me estão a destapar o jogo…

publicado por cafe-vila-franca às 18:10

Novembro 03 2012

 

Quando me inscrevi no Partido Socialista duas motivações me moveram. Por um lado uma identificação genérica com a ideologia, o programa, a orientação política e a cultura do PS. Uma outra motivação foi, confesso, particularista: a minha terra, Vila Franca de Xira, era governada por Daniel Branco, do Partido Comunista, que tinha, nessa altura, iniciado uma fase da sua governação assente no "inchamento" urbanístico”, com todas as consequências daí resultantes. Assistia ao início da degradação da qualidade de vida no meu concelho e julguei que deveria assumir uma posição mais proativa.

Passaram-se duas décadas e muitas coisas mudaram. Porém,

  1. A situação que critiquei à vereação do PCP não foi melhorada. Pelo contrário, agravou-se sob a responsabilidade do Partido Socialista e da sua aliança estratégica com os negócios do betão, à custa de tudo o resto;
  2. Em vez de uma visão estratégica de desenvolvimento sustentável aproveitando as muitas vantagens que o concelho possuía, seguiu-se uma lógica taticista na condução da política concelhia, destinada a conservar o grupo do poder e a sua liderança;
  3. No plano interno o estilo dessa liderança é contrário aos princípios do debate e da participação. Prevalece o interesse e a disputa de lugares que tem vindo a fazer com que o PS perca em militantes o que ganha em acordos de compadrio.
  4. Além da diminuição do número de militantes, reduz-se a efetiva participação na vida política; verifica-se a exclusão dos cidadãos-militantes mais interessados no interesse coletivo, a favor dos mais treinados para a ocupação do aparelho;
  5. Foi atingido o limite desta lógica de governação concelhia com a indicação, pela CPC, do candidato da sua preferência para encabeçar a lista às próximas eleições para a Câmara. Independentemente das qualidades possuídas, é óbvio que o camarada Mesquita não possui as qualificações mínimas para o exercício do cargo, e apenas a degradação da qualidade da vida política interna permite que se chegue sequer a ponderar que alguém com o seu perfil possa ser o candidato;
  6. Tudo se passa como se as coisas tivessem sido conduzidas de tal modo que a seguir a Maria da Luz Rosinha só pudesse surgir alguma coisa ainda pior, o que tornará sofrível um conjunto de mandatos deploráveis.

Pretendo continuar a militar no Partido Socialista, mas não quero ser conivente com o estado de coisas a que se chegou no concelho de Vila Franca de Xira. Por isso, como socialista e como cidadão, aqui as quero denunciar.

publicado por cafe-vila-franca às 18:05

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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