Outubro 23 2015

Deste riquissimo período da história política do Portugal contemporâneo que estamos a atravessar, vão perdurar dois momentos pela sua grandiosa baixeza. Hesito em pronunciar-me sobre qual dos dois achei mais baixo e caricato, pelo que os coloco no mesmo plano. Falo, por um lado, da heróica reação do MRPP aos resultados eleitorais, decidindo expulsar o pobre do Garcia Pereira por "anti-comunista primário". Nem o Fernando Rosas, no auge do seu eloquente "auto-critico-me, camarada", faria pior.

Por outro lado, há o discurso de hoje do Cavaco Silva, no qual indigitou Passos Coelhos como primeiro-ministro e, do alto da sua imbecil senilidade, declarou que "jamais, fica ordenado, haverá no meu reinado, outra tourada real"...oh! desculpem (falar destas coisas tira-me do sério), um governo com BE e PCP em Portugal.

Podemos olhar os dois factos quer pela componente formal, quer pela substantiva, do ponto de vista do pragmatismo ou dos princípios, numa ótica sistémica ou realista, respeitando a tradição ou a inovação. Mas calma, não me vou servir deste esquematismo fácil para vos maçar. Basta chamar a atenção para como ele é útil para comentaristas que não podem ir além deste tipo de dicotomias simplistas (e, tirando-os deste filme, fica a minha chapelada ao Pacheco Pereira e aos poucos que escapam a estes esquemas mentais tão arrasadores como vazios no contexto). São esquemas perfeitamente utilizáveis para preencher toneladas de papel e resmas de horas de TV, sobre temas tão em baixo relevo. Na verdade são ambos factos políticos de pasmar. Duas pérolas. E não compreendo a razão pela qual os comentadores de direita (que são quase todos), que falam e escrevem nos órgãos de comunicação social de direita (que são todos), dão muito menos relevo à inteireza e coragem revolucionária da camarada Marta, do que à pulhice do ex-pide (segundo documentos que circularam nas redes e nunca foram desmentidos), corrupto comprovado, velhaco consabido e vingativo (que o dgam Carlos do Carmo e Saramago, lá na cova) Silva. Entrtanto, vamos sobrevivendo nesta amargura. À espera dos próximos episódios!

publicado por cafe-vila-franca às 00:26

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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