Se os resultados das sondagens não desmobilizarem algumas pessoas que julgam ser um preço demasiado elevado a pagar pelo castigo ao governo de José Sócrates deixar que Manuela Ferreira Leite ganhe as eleições, o PS vai ganhar. O Bloco de Esquerda e o CDS/PP também. A este não lhe servirá de nada a vitória, mas também não lhe fará mal. Já ao BE as coisas podem complicar-se, porque o aumento da votação vai requerer maior responsabilidade a um partido cuja cultura é a da irresponsabilidade.
Os perdedores são o PSD e Cavaco Silva.
O PSD perde porque as intenções de voto revelam um desejo claro dos portugueses manterem o modelo social e político que temos vindo a construir, que não é perfeito (já Churchill procurava um, mas não o encontrou) e precisa de aprofundamento, mas nunca de recuo. Aprofundamento que consolide os avanços registados na igualdade de oportunidades e nas qualificações; nas políticas activas de protecção social; na modernização do trabalho de molde a adptar-se às condições de uma economia aberta. Precisa também da coragem e visão como a que permitiu a reforma na educação, para enfrentar interesses atávicos que ainda prevalecem na justiça, na regulação do mercado, na segurança e na saúde. Uma agenda exigente para o novo governo.
Cavaco Silva perde porque foi desmascarado. Que era provinciano já todos sabiam. Mas que não era pessoa em quem se confie, um vulgar intriguista, poucos suspeitavam. E o amadorismo com que intrigou fez cair a imagem de pessoa competente que possuía. Sai das eleições a mostrar que não merece o cargo que ocupa.
Segunda-feira cá estamos para ver como vão parar as modas.
Agora uma nota fora do contexto. Parece-me inconcebível o modo como a corporação dos magistrados reage ao congelamento da nota de avaliação do Juíz Rui Teixeira. Era o que faltava, atribuir uma avaliação de "muito bom" a um Juíz que prendeu um inocente. Ele devia era pagar pelo mal que fez, não sei se simplesmente por incontida vaidade e afã de protagonismo, se por razões bem piores.
Luís Capucha