Novembro 28 2009
Vivemos num mundo cujas transformações afectam tudo o que fazemos. A globalização não é um incidente passageiro das nossas vidas. É uma mudança das próprias circunstâncias em que vivemos. É a sociedade cosmopolita global, o novo capitalismo que está a agitar a nossa actual forma de viver, qualquer que seja o lugar em que habitamos. Vila Franca está a pagar isso bem caro. Actualmente a nossa terra passa por uma “crise de identidade” resultante de variados factores, mas que não podem ser só explicados pela imolada aldeia global. É claro que existem novos mercados, novas ofertas, novos comportamentos individuais, novas políticas, novas dependências económicas em que a “construção” limita, manda, manipula a maioria das estruturas autárquicas e respectivos PDM. Não querendo carregar todo o ónus nesta última vertente, a verdade é que esta condicionou e condiciona a vertente económica de uma autarquia. E ainda mais quando esta fica, pelo menos aparentemente, refém deste grande poder. Mas isto não pode (ou não deve) explicar tudo sobre aquilo a que chegámos! Durante a semana, Vila Franca tem vida durante o dia e vai morrendo com o aproximar da tarde/noite. Morre aos sábados à tarde e, aos domingos e feriados, é uma terra de ninguém. Tirando o domingo do Colete Encarnado e o da Feira, faz lembrar aquelas terras do antigo oeste americano, que já vimos em filmes, com as ruas desertas, portas e lojas fechadas porque uns pistoleiros vão aparecer para um qualquer ajuste de contas. Temos um centro comercial obsoleto e moribundo. Temos um novo museu que atrai poucos. Temos um jardim municipal cada vez mais inacessível. Temos um novo parque lúdico em Santa Sofia que está quase sempre vazio, tal como o espaço onde se faz a nossa feira anual. Temos, no Cabo, um “salão” moribundo, que nenhuma UCI poderá salvar. Temos uma praça de toiros onde, algumas vezes, os figurantes parecem ser mais que os pagantes. Temos um Ateneu que perdeu, há muito tempo, a sua “alma”. Temos uma patriarcal com exposições que, raramente, são mais do mesmo e uma companhia teatral que de inestética tem, como principal utilidade, o nome. Temos espaços colectivos que passaram a privados, como os casos dos Combatentes e da antiga sede do Ateneu. Temos um estacionamento caótico e a pagar em locais onde tal não deveria acontecer. Temos um largo da câmara desaproveitado. Apenas local de encontro daqueles que nada têm para fazer, porque a idade já não lhes permite outras veleidades e daqueles que podem mas não querem. Temos um passado que nos orgulha, um presente que nos envergonha, um futuro que está para não ser! Não se criaram, como noutras terras, espaços apelativos para atrair a população. Ou melhor, os espaços até podem existir mas não estão aproveitados! A responsabilidade poderá ser sempre imputada à nossa edilidade. Mas será também da nossa responsabilidade este vazio, este deserto de ideias, este “deixa lá!”, “é a vida”, a crítica mordaz de que tudo está mal, mas que ninguém mexe uma palha. A apatia já não é só latente, é manifesta! No entanto, existem iniciativas de reconhecimento cultural que podem ser decididas pelos responsáveis políticos sem que tal se verifique realmente em resposta - ou pela indiferença - dos seus habitantes. Não será possível aproveitar melhor esses espaços? Criar outros, sem ficarmos reféns do cimento? Criar mais dinâmicas no centro da nossa cidade? Fazendo semanas da cultura popular, clássica, teatral, desportiva (a tauromáquica já existe e com sucesso) ou com outras denominações? E tudo isto com uma maior divulgação desses e mesmo dos actuais eventos, fazendo-os chegar mesmo à população. Um exemplo seria a colocação de placards electrónicos dinâmicos e apelativos localizados em zonas estratégicas do nosso concelho e não aqueles estáticos existentes em que poucos reparam ou, pior, ignoram. Sra. Presidente, tire-nos (ou ajude-nos a sair) desta crise, deste marasmo, deste olhar que só brilha com as lembranças de algum passado! Ou será pedir muito? António Salgado
publicado por cafe-vila-franca às 00:15

Por lapso seguiu o comentário anterior incompleto pois parece que tinha demasiados caracteres. Segue a continuação.

Ludlow foi a primeira Cidade Lenta do Reino Unido, assim reconhecida em 2003. Ludlow é uma cidade no sul da região de Shropshire, perto do País de Gales, com cerca de 10.000 habitantes. Situa-se numa colina junto a uma curva do rio Teme. Entrar nesta cidade é ser recebido como residente, como parte integrante. Se percorrer o centro de Ludlow a pé pode encontrar mais de 500 edifícios referenciados. Nesses edifícios antigos moram pessoas e mora comércio, pode entrar e apreciá-los assim vividos. O centro é dinâmico, encontra padarias com fabrico tradicional, talhos com carnes criadas na região, restaurantes recomendados internacionalmente, lojas de artesanato local, lojas de design, livrarias e bancos. Muitas destas lojas têm-se mantido, por muitas gerações, nas mesmas famílias. O atendimento personalizado e conhecedor dos produtos tem sido preservado. Junto ao castelo podemos encontrar um impressionante mercado de produtos cultivados e criados à volta da cidade. Existe também um centro de artes que promove cinema, teatro, música e conferências. Todas as organizações são convidadas a envolver-se nas decisões que envolvem a cidade.
Em 2004 foi criado um Eco-Parque periférico. Todos os edifícios de negócios ali construídos têm de cumprir soluções ecológicas, nomeadamente quanto à emissão de gazes com efeito de estufa (tem de ser 50% inferior à dos edifícios comuns). Pretende-se aplicar uma arquitectura sustentável. Um grande estacionamento, servido por um autocarro, cria uma alternativa ao carro próprio no acesso à cidade.
Em Ludlow, decorrem todos os anos pelo menos quatro festivais: um de carros antigos; outro de artes com peças de Shakespeare, concertos, debates e animação de rua; um festival de gastronomia e um festival medieval. Todos estes enredos, e muitos outros, se podem descobrir em cidades lentas. Lugares bons para viver e para visitar... lentamente.
raquel a 9 de Dezembro de 2009 às 15:45

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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