Junho 04 2015

Sei que é um lugar comum um pouco pretencioso, mas como muitos outros não consigo deixar de dizer que o país e cada um de nós deveria estar a discutir não a dança de treinadores entre o Glorioso SLB e o seu vizinho Sporting, mas antes as coisas que interessam ao nosso futuro coletivo, o que realmente importa: como conseguir ao mesmo tempo correr com este governo e assegurar que o próximo segue uma política que beneficie os cidadãos e não os interesses financeiros.

Depois, sendo o desporto em geral, e o futebol em particular, um fenómeno social de inegável importância, então o que se deveria discutir e comemorar seriam os jogos, as jogadas, as táticas, as equipas, os títulos e os atletas, e não os protagonistas indecentes que são os dirigentes.

E se mesmo assim quisermos discutir as negociatas no futebol, então o que deveria chamar a nossa atenção é o que se prepara na FIFA: a substituição da matilha que reinava por outra que se prepara para reinar sob a batuta do tenebroso Platini.

Mas não há volta a dar. O futebol é paixão e, quando o tema é o Benfica, não há nada a fazer: não conseguimos conter o que nos vai na alma. Sobre esta trapalhada da contratação do Jorge Jesus (JJ) pelo SCP tenho a dizer que:

1. O JJ é um "futeboleiro" sem classe que não vale, como treinador, um caracol. Saiu-lhe a sorte grande de ingressar no Benfica e ficar apenas por teimosia do Presidente.

2. O Benfica ganhou alguns títulos (principalmente taças da liga, uma taça de Portugal e três campeonatos) porque dispôs de grandes equipas, nas quais vejo a mão (apesar de alguns boicotes), desse grande dirigente benfiquista (em tosdos os sentidos) chamado Rui Costa. Passaram e/ou estão lá jogadores como Júlio César, Luisão, Jardel, Maxi Pereira, André Almeida, Gaitán, Sálvio, Lima, Pizzi, Jonas, Garay, Pablo Aimar, Saviola, Xavi Garcia, Matic, Fábio Coentrão, David Luís, Ramires, Witsel, Enzo Peres, Di Maria, Oscar Cardozo, entre muitos outros.

3. Apesar disso o JJ conseguiu a proeza de perder dois campeonatos quando se encontrava com uma vantagem que colocaria o mais inapto no topo da classificação final; uma final de taça para o Vitória de Guimarães, uma meia-final da Liga Europa para o Braga e duas finais da mesma liga contra equipas que mostraram, no terreno, ser inferiores à nossa. Para além da modestissima presença na Liga dos Campeões, o espaço a que naturalmente pertencemos, mas pelo qual também temos de lutar. A incapacidade de ousar ganhar do treinador parece que transmitia à equipa uma ansiedade que a impediu, inúmeras vezes, de atingir o que estava ao seu alcance. Há quem veja o que ele ganhou, mas eu vejo também o que ele incrivelmente perdeu, e faço um balanço muito negativo do desempenho do homem.

4. Não foram só jogos decisivos e títulos o que JJ desperdiçou. Também deitou fora um conjunto de jovens que, com a devida oportunidade, seriam hoje, provavelmente, a base da equipa e da sua renovação. Falo de Cancelo, André Gomes, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, Rui Fonte, Danilo (que desgosto me daria vê-lo no Porto...), Nelson Oliveira, etc. Mas esses não eram representados por grandes empresários e o dinheiro de eventuais transferências iria todo para os cofres do clube, e não, como muitos suspeitam, para comissões e luvas... A formação do Benfica desde os tempos do Chalana não produzia tanta qualidade em quantidade, mas a Jesus só interessam as negociatas com transferências de estrangeiros.

5. Agora JJ entra num clube dirigido por um lunático e a sua incapacidade vai saltar à vista, como aconteceu com Scolari, que foi campeão do mundo com "aquela" equipa do Brasil e que com a seleção nacional perdeu um Campeonato da Europa em Portugal e um campeonato do mundo em que éramos a melhor seleção. Contra a opinião geral, sempre disse que ele não servia, e a sua trajetória veio mostrar isso mesmo.

6. Mas o JJ vai para o SCP pelo dinheiro todo de que se fala apenas porque esse histórico do nosso futebol é agora dirigido por um tonto que se entretem a interferir no trabalho do treinador, a criticar a equipa e a desmoralizá-la? Não. Ele vai porque um certo senhor angolano que todos conhecemos do caso BES e outros sócios da Guiné Equatorial, injetaram dinheiro na SAD. É fácil adivinhar as intenções: com estes poucos milhões poderão mascarar sabe-se quantas jogadas "limpinhas" (ou de "limpeza") de muitos biliões, que irão parar às suas contas muito sujas. Com o JJ o SCP, assim dirigido, vai ganhar? Não. Há uma diferença entre o Pinto da Costa e, em parte, o Luís Filipe Vieira, e estes investidores mais o seu fantoche-Presidente. Os primeiros, que de santos não têm nada, ligam o seu sucesso pessoal ao sucesso do clube. Estes investidores só conhecem a cor do dinheiro e quanto mais trocos tiverem de "investir" para conseguir as vitórias que vão fugir, mais a máquina da lavagem vai funcionar. Digam adeus, sportinguistas, a coisas de que se podiam orgulhar, como a academia de Alcochete e os ídolos que de lá saíram. Não colam com o estilo do novo treinador.

7. Quanto ao Benfica, creio que a estrutura se vai manter e se o próximo treinador for competente (espero que seja o Rui Vitória, o meu preferido há muitos anos, como sabem todos os meus amigos) e se trabalhar para acrescentar Glória ao Glorioso e não apenas euros à sua conta e ar à sua basófia (que foi o principal atributo do JJ no Benfica), vêm aí muitas mais conquistas e um longo período de grandeza em Portugal e em todo o mundo.

publicado por cafe-vila-franca às 19:17

Janeiro 17 2015

Há acontecimentos, como o ataque terrorista e cobardo contra o "Charlie Hebdo", que têm a capacidade de trazer para a praça pública ideias que a maior parte das vezes só se pensam ou se confessam em privado. Isto, claro, e esta nota faz toda a diferença, se estivermos num país em que as pessoas podem dizer o que pensam, mesmo que o que pensam seja algo detestável e horrendo para quase todos os outros. É certo que, como é comum, com o tempo o entusiasmo pelo assunto vai-se esbatendo e outros assuntos ocuparão, ainda que só raramente com a mesma presença esmagadora e idêntica intensidade emotiva, o espaço do debate público. Mas alguma coisa ficará sempre na nossa memória, ainda que às vezes não pareça.

Todas as pessoas do meu espaço de relações condenaram o ataque. Mas dentro dessa unanimidade manifestaram-se diversas posições contraditórias. Alguns, como eu, disseram "Je suis Charles", não porque concordassem com o que dizia e desenhava o jornal, mas porque acham que ele tem o direito de o dizer e desenhar. E identificavam-se, nessa frase, com o valor da liberdade de expressão, sem limites. Foi também isto que disse Salmon Rushdie: não podemos limitar a liberdade do Hebdo. Nem de ninguém, está claro. Para mim, e julgo que para muitos milhões, "Je suis Charlie" significa isso e nada mais do que isso. O que já é, por si só, muito importante.

Outros, manifestaram opiniões mais oarecidas com a que recentemente manifestou o Papa Francisco. Condenaram o ataque, mas afirmam que a liberdade de imprensa deve ser usada com responsabilidade e parcimónia, isto é, deve ser limitada, nomeadamente quando toca em sentimentos dos outros tão profundos como a fé religiosa. Claro que o Papa está a advogar em causa própria, a defender os seus interesses e os da sua Igreja, quando defende esta limitação da liberdade de expressão. Mas, se a liberdade de expressão não serve para dizer coisas que podem ser desagradáveis para alguns, para que serve então? Particularmente quando é usada na forma de humor, uma arma que Umberto Eco, em "O Nome da Rosa", já mostrara ser das mais poderosas na luta contra a opressão. Alguém argumentou, com razão, que os países onde há liberdade de imprensa são também países onde existem Estados de Direito e onde, se alguém se sente ofendido e  considera que terceiros excederam os limites, pode recorrer a instâncias encarregues de as defender. Defender a liberdade é também recusar a justiça pelas próprias mãos. Liberdade de expressão castrada, não! 

Entre as pessoas das minhas relações, e até entre alguns amigos, também se manifestou a ideia cretina de que, avisados como estavam da ameaça que corriam, os jornalistas do Charlie Hebdo se deveriam ter contido e evitado falar do Profeta Maomé. Assim, teriam provocado o crime de que foram as vítimas. Trata-se, à primeira vista, apenas de uma ideia cretina. Mas refiro-a aqui porque me parece ser mais do que isso. É um apelo à cedência perante a ameaça terrorista, totalitária, fundamentalista. É o apelo à capitulação pelo medo. Não é por acaso que a extrema direita explorou este mesmo medo, aproveitando para propalar a sua ideologia xenófoba, racista e populista. O medo convém-lhe, porque abre o caminho para a chegada da intolerância e do fascismo ao poder. E depois, quando aqueles que agora condenam os jornalistas e caricaturistas do Charlie derem por isso, será tarde demais. 

Uma quarta posição parte de uma "frase batida": os direitos de uns acabam onde começam os dos outros. Parece inquestionável à primeria vista. Uma análise mais cuidada, porém, levar-nos-á a questionar o relativismo implícito na afirmação. Tudo se passaria como se a liberdade fosse um campo de forças gerido por uma mão invisível que marca a fronteira da liberdade de cada um. A uma escala global, o argumento apareceu, não necessariamente narrado por um conjunto homogéneo de pessoas, na forma da necessidade de compreender que certos valores, como o da liberdade de expressão, são do mundo ocidental, que não os deve querer impôr aos outros. Não é assim. O direito à liberdade é um direito humano. Não pode depender do sítio e do tempo em se nasceu e se vive. É um direito universal. Como muitos outros. O facto de não ser cumprido em grande parte do mundo, tanto no ocidente como no meio e no oriente, no norte e no sul, não o torna menos universal e, portanto, menos válido para uns indivíduos do que para outros. A Declaração Universal dos Direitos do Homem é uma referência absoluta. Não pode depender de particularismo ou de uma suposta divisão da liberdade onde exista um começo para uns que é o fim da dos outros. Por cima dessa "mão-invisível" da liberdade devem estar as leis e as regras de convivência entre os povos e as pessoas. A única maneira de respeitar os outros é respeitar a lei e o direito, nacional ou universal. 

A quinta posição insiste na posição de que entre os que se manifestaram sob a palavra de ordem "Je suis Charlie" estavam muitos algozes exploradores e opressores do povo, criminosos que apenas por cinismo e oportunismo político se afirmavam dissimuladamente de forma contrária a todas as suas práticas. Não posso dizer que não tenham existido casos desses. Mas é preciso notar duas coisas: primeiro, a linha que divide o terrorismo fundamentalista e fanático de todas as outras pessoas é uma linha que deixa muita gente execrável do lado de cá. O mundo não é perfeito e a vida obriga-nos muitas vezes a companhias que não desejaríamos, mas que temos de aceitar; depois, no meio da condenção de um ato bárbaro por milhões e milhões de pessoas, chamar a atenção para a presença das ovelhas ranhosas, é escarnecer, de algum modo, dos que estão de boa fé e, mesmo sem ser santos, não se confundem com os criminosos que se manifestaram, como era seu direito. 

Quem afirma esta última posição diz, ainda assim, coisas que vale a pena reter. Nomeadamente que há muita hipocrisia entre muitos dos que afirmam nas palavras e nas manifestações condenar o terrorismo, mas depois negoceiam com os terroristas ou com quem os financia (e como seria fácil seguir o rasto do dinheiro que chega à AlQaeda e ao Estado Islâmico!). O modo como os países do ocidente tratam a Arábia Saudita é exemplar a esse respeito. Como o é a perseguição de pessoas que manifestaram opiniões (nada mais do que opiniões) de simpatia para com os terroristas e por isso foram presas; a condenação inaceitável de pessoas como Raif a mil chicotadas, só por escreverem em blogues o que pensam sobre a religião totalitária no seu país, a Arábia Saudita uma vez mais; os massacres na Nigéria e em tantos outros países; a usência de liberdade nalguns dos mais poderosos países do mundo, como a Rússia e a China, com os quais o Ocidente se revela tão tolerante, colocando os negócios à frente dos valores; a brutalidade da polícia americana contra os negros; a prisão de Guantanamo, entre tantos outros casos. 

Já agora, vale a pena também insistir no princípio de que a liberdade não é o único valor pelo qual temos hoje, e sempre, de lutar. De resto, o pensamento único  neo-liberal estará sempre na linha da frente a defender a liberdade, embora sabendo na prática que, no mercado, essa liberdade favorece os poderosos e oprime os fracos, sendo a lei e o Estado quem liberta os oprimidos, os pobres e os injustiçados. Os valores da igualdade e da fraternidade, tantas vezes espezinhados quer pelos terroristas quer por muitos dos poderosos deste mundo que se afirmam - e fazem bem em afirmar-se - contra ele, não são menos determinantes. A liberdade sem igualdade e fraternidade é uma falácia, uma conquista incompleta e vulnerável. É da desigualdade e da injustiça que se alimenta o terrorismo e todos os totalitarismos. Que só terão fim numa sociedade mais justa e equitativa. 

Como se constrói essa sociedade? Não existem soluções mágicas. Existem caminhos que têm de se percorrer,e escolhas que têm de se  fazer. Por onde vamos agora, não chegamos lá. Todos os Charlies foram "compagnons de route", e foi importante que fossem tantos. Mas não queremos, de facto, seguir o caminho que alguns dos que lá estavam nos querem impor. A Europa, por ter mostrado já no passado que esse caminho é possível, tem nisso uma responsabilidade particular. Nós, como Europeus, temos de escolher o nosso caminho. E concentrar-nos no essencial (não confundir com unanimismos quanto às soluções e políticas a desenvolver. A divesidade é uma riqueza a preservar e aproveitar). Não misturemos porém as coisas. Sem isso nunca saberemos para onde vamos, pois estaremos sempre a espingardar ineficazmente em todas as direções. Ao Charlie Hebdoo que é do Charlie Hebdo, à luta pela igualdade, pela fraternidade e pela justiça o que pode romper barreiras nessa luta.

publicado por cafe-vila-franca às 20:21

Janeiro 03 2015

Pronto, já entrou 2015. Não é agora tempo para fazer balanços políticos e económicos do ano que passou nem projeções do que está para vir (interpretar situações e tomar posições é quando um homem quiser, como o Natal). Não é por mudar o ano que as coisas mudam. Mais importante nesta época é comemorar a passagem do tempo, celebrar os afetos e afeições, renovar laços. Esta é uma quadra de suspensão dos ritmos quotidianos do trabalho e de diversão. Uma das diversões típicas desta quadra é ir ao circo. O espaço e o tempo do espanto, do riso, do encantamento. O que torna o circo diferente de outros espetáculos e diversões é a variedade. É o conjunto que conta, mais do que a qualidade dos elementos individuais (que porém importa muito, mas só para distinguir uns circos dos outros). Com o devido respeito, o circo está para os espetáculos como o cozido à portuguesa para a culinária tradicional portuguesa. Agora suponhamos (é de coisas absurdas que iremos falar) que um movimento moralista qualquer, convencido de uma suposta superioridade sobre os amantes do cozido, iniciava uma campanha para acabar com a morcela no dito, exibindo por todo o lado imagens do modo como ela é feita a partir do sangue do porco. E que as pessoas, horrorizadas, passavam a apoiar o movimento e os moralistas conseguiam impor a sua versão do cozido sem morcela. Não era o mesmo cozido, pois não? Esse tipo de cruzadas morais ainda não chegou à cozinha, mas já está a produzir mossa no circo. Os movimentos animalistas, na sua cruzada moral (que nenhum animal lhes encomendou ou pediu) destinada a impor a toda a gente o seu ponto de vista sectário,conseguiram que algumas entidades públicas, nomeadamente Câmaras Municipais, alinhassem na proibição da utilização de animais no circo. As intenções não podiam ser mais puras e consensuais: acabar com o sofrimento dos animais. O formato da campanha é o mesmo que utilizam noutros campos, nomeadamente contra a Festa de Toiros (um dia virão todas as outras festas e diversões, porque, como bem mostrava Umberto Eco em "O Nome da Rosa", o riso e a diversão são subversivos e perigosos, diria mesmo pecaminosos). Com as avultadas verbas de que dispõem, montam umas quantas imagens em que aparecem animais a sangrar, ou homens a bater em animais. Retiram-lhes todo o cenário e anulam qualquer elemento de contexto, para assim chocar as pessoas, e divulgam-nas de forma massiva em todos os meios e redes. As pessoas em geral gostam de animais e ficam sensibilizadas. Algumas até horrorizadas. Aquelas imagens chocam diretamente com o seu sentimento. Assim se geram apoios para a campanha dos ativistas que entretanto vão dizendo que preferem os animais às pessoas, que os animais são melhores do que os homens, que os homens carregam todo o mal e os animais - e os animalistas - toda a bondade. Alguns políticos convencem-se que os eleitores passam a estar contra os animais no circo e menos a gostar do circo com animais, mesmo que não possuam disso nenhuma evidência que não seja a que é servida pelo lóbi animalista. Na caça ao voto, declaram-se proibicionistas. E os cidadãos que gostam do circo com animais deixam de o poder ver. Assim, de forma totalmente arbitrária. E irracional! Repare-se que tudo se passa no plano dos sentimentos e das sensibilidades. Nem uma única vez se pede às pessoas para pensar. Pois eu, que gosta de animais - mais de uns do que de outros -, julgo que é preciso pensar, para responder a algumas perguntas. Comecemos pela mais simples: quem é que, no circo, não sofre? Não é dolorosa, feita de sacrifícios, disciplina, dor e estoicismo a preparação de trapezistas, malabaristas, equilibristas, palhaços e domadores? E sofrem em nome das pessoas que vão ao circo porque gostam. Tal como é dolorosa e feita de muito sofrimento a preparação de qualquer atleta de alta competição, para dar apenas um exemplo de um outro campo. Vamos acabar com o circo porque as pessoas que o protagonizam sofrem a preparam-se para conseguir fazer aquilo que o comum das pessoas não é capaz, razão pela qual os admiram? Vamos depois acabar com o desporto de alta competição? Onde iremos parar segundo esta lógica? Responderão os animalistas que as pessoas fazem o que fazem porque querem, porque escolheram fazê-lo, ao passo que os animais são obrigados. O que revela demagogia e uma grande contradição no discurso. Demagogia e hipocrisia na medida em que todos eles sabem que as pessoas são elas próprias e as suas circunstâncias, que as escolhas que fazem são condicionadas pela sua natureza social, pelas suas experiências, gostos e disposições que as levam a escolher fazer aquilo que é preciso ser feito. A livre-escolha é socialmente condicionada e esse condicionamento é condição da liberdade de escolher dentro de um conjunto de regras e de condições que determinam as escolhas. Quanto à contradição, deixemos antes do mais uma nota: a base filosófica dos animalistas, que suporta a sua cruzada contra as outras pessoas, é que os animais com sistema nervoso central também sentem. Mais, dizem: é uma visão errada a afirmação da sua superioridade do homem devido à posse da razão e da capacidade de julgar o bem e o mal. O que importa, segundo esta narrativa, não é a razão, mas a emoção. Assim, os direitos são iguais para todos os animais que sentem. Se assim é, porquê evocar a capacidade de julgar e escolher por parte dos domadores do circo e dos atletas de alta competição (e de muitos outros profissionais das coisas "excepcionais") para os atacar? Não deveríamos apenas julgar a sua emoção e a sua sensibilidade? De onde vem a segunda pergunta: quem disse que os domadores são mais insensíveis, menos humanos, mais violentos, menos civilizados, em média, do que os animalistas ou do que qualquer um de nós? O que eles dizem é que adoram os seus animais, cúmplices da sua vida. Aliás, também duvido que os animais do circo gostem mais dos animalistas do que dos domadores. Tudo indica que o que se passa é o contrário. Não apenas os domadores compreendem muito melhor os seus animais, sem o que não seriam capazes de os levar a fazer o que fazem, como os animalistas não os compreendem de todo. Por outras palavras, a questão não é entre pessoas que gostam e pessoas que não gostam dos animais, mas entre pessoas que toda a vida viveram com eles e pessoas que apenas tentam impôr aos outros as suas maneiras de ver. Não é por acaso que a primeira lei de proteção dos animais de que temos conhecimento foi publicada pelo governo Nazi. Pelos vistos, o monstro Hitler gostava mais de animais do que de pessoas. E era bem conhecida a sua intenção de domar todos os homens submentendo-os à sua vontade. Contra Hitler e o fascismo, eu digo: viva o circo! Uma terceira questão: porque são protegidos alguns animais e outros não? Agora dizem-nos que não podemos separar o homem dos animais pela linha da posse da razão. Somos assim todos iguais, desde que todos tenhamos sistema nervoso central. Mas, pergunta-se, e os outros animais? Qual a razão para substituir uma linha de divisão arbitrária (razão/não razão), por outra que não o é menos (emoção/não emoção)? Porque podemos envenenar melgas e formigas e outros bichos quando invadem o nosso espaço e ameaçam as nossas colheitas, e não podemos domar elefantes, tigres, macacos ou cangurus? De resto, a própria linha que estabelecem os animalistas está cheia de arbitrariedades. Desratizar uma cidade, ou combater uma praga de pombos doentes, não é exterminar animais com sistema nervoso central? Então, vamos proibir essas práticas? Até onde nos leva esta lógica animalista? E, já agora, quem disse que manter um cão fechado em casa é proporcionar-lhe bons tratos? Algum animalista é capaz de promover uma campanha sobre o sofrimento dos cães e outros animais que são mantidos, contra a sua natureza, em apartamentos na cidade? E já agora, não será o amor desses cães pelos seus donos igual ao dos animais do circo pelo seu domador? Em quarto lugar, onde nos pode levar o discurso que afirma a igualdade entre homens e animais? Na Dinamarca foi recentemente publicada uma lei que pune a prática de sexo com animais. O que mais me espanta nessa lei é o que ela revela: que o sexo com animais deverá ser prática corrente na Dinamarca. O que por sua vez me leva a acreditar que na Dinamarca se perdeu a noção da fronteira que divide a cultura e a natureza. Onde nos leva o discurso dos "animais nossos irmãos"? A rutura com a nossa condição de animais com cultura só pode conduzir a práticas típicas das bestas. Quinta questão: quanto vale uma imagem sem o seu contexto de enquadramento? Peço desde já perdão a quem não quero ofender, mas pode alguém deixar de sentir como repugnante a imagem de um homem magro, macilento, ferido de morte, nu, despojado, sangrando pregado numa cruz em que agoniza? Fora do seu contexto sagrado, que lhe dá um significado religioso, essa imagem gerará repulsa. Mas no quadro do Cristianismo é uma representação sagrada de Deus, e o que os Cristãos vêm não é um homem sangrando pregado na cruz, mas Deus oferecendo o seu filho em sacrifício pela sua Igreja. Podemos dar um exemplo com menor suscetibilidade: um bife de vaca é uma coisa suja? Para os vegetarianos, um molho de bróculos é algo repugante? Eu respondo: depende do contexto. Esse bife ou esses bróculos no prato são uma delícia, mas no meio dos lençóis, na cama onde nos deitamos, são nojentos. O mesmo se passa com a imagens de homens e animais: a apresentação de imagens isoladas e colocadas fora do contexto não são verdadeiras, são pura manipulação e demagogia. Por fim, a sexta e última questão: a quem interessa esta demagogia? E quem financia as campanhas dos animalistas? São as indústrias pet, desde os veterinários de animais de companhia até às grandes indústrias de alimentos e produtos para animais de companhia, que repetem sem descanso a mensagem de que os animais valem tanto quanto as pessoas e que tratar bem os animais é consumir os seus produtos. Mesmo que isso implique que milhares de pessoas, incluindo crianças e idosos, vivam neste mundo na mais profunda miséria, enquanto as atenções são atiradas para cima dos homens e das mulheres do circo. Ganham também, e financiam igualmente os extremistas animalistas, as indústrias culturais que vivem da antropomorfização dos animais. O maior exemplo é a megacompanhia Disney. A mensagem que passam é também a da igualdade entre homens e animais, porque os animais aparecem sempre como se fossem pessoas. Não se trata de criar uma ilusão que sabe que o é. O que fazem é passar como realidade a ilusão que criam, o que rende os biliões que rende para os bolsos dos seus acionistas e, ao mesmo tempo, assegura a dominação cultural, nomeadamente no que respeita à relação do homem com a natureza. Uma relação convenientemente distorcida, não vão as pessoas voltar a pensar com a cabeça, em vez de se deixarem inebriar com ilusões.

publicado por cafe-vila-franca às 17:17

Outubro 10 2014

Comparative Sociology 13 (2014) 482–502

The Role of Stereotyping in Public Policy Legitimation: The Case of the pigs Label

Luís Capucha, Pedro Estêvão, Alexandre Calado, Ana Rita Capucha

Abstract

This article aims at deconstructing the “pigs” label, bestowed by the media on four southern European countries – Portugal, Spain, Italy and Greece – in the wake of the ongoing Eurozone debt crisis. The article will demonstrate that the “pigs” label has no correspondence to reality by discussing the evolution of several European countries on the fields of economy, education, social policies and health. The “pigs” label should be viewed instead as an instance of symbolic discrimination and as part of an hegemonic narrative aiming at legitimizing austerity policies in Southern Europe and postulating the incompatibility between social development and economic growth.

Para ver o artigo completo clique aqui.

publicado por cafe-vila-franca às 19:49

Setembro 28 2014
A maré social está a encher. Um sociólogo não deve falar sobre os fenómenos sociais com base nas impressões que os acontecimentos lhe deixam. Tem de investigar. Mas aqui não é o sociólogo que fala. É o cidadão.
Nos últimos anos senti o povo tristonho. Convencido de que a crise era culpa sua e do seu despesismo, como os poderosos que nos governam o fizeram crer. Mas as coisas mudaram.
Não tenho indicadores objetivos para apresentar. Mas tenho alguns sinais de proximidade. Por exemplo, o último Colete Encarnado foi mais alegre que os anteriores. Nais recentemente, milhares de pessoas se reuniram para o ato solene de inaugiração da "Fábrica das Palavras", a nova biblioteca em Vila Franca. Dias depois vi uma tímida iníciativa do Clube Taurino Vilafranquense, a noite das sopas, concitar uma adesão que ninguém esperaria. Um autêntico sucesso que criou, pela dimensão inesperada, problemas logísticos aos organizadores que em boa hora tiveram a ideia.
As pessoas querem estar juntas e estão fartas da tristonha austeridade. Querem viver. Sentimento que logo reforcei quando saí das "sopas" e fui à "fábica das palavras" onde atuava o Paulas Brissos. Tanta gente... tantos amigos que não via há tanto! E consolidei a ideia de que a maré da (eventualmente pacífica e convivial) revolta popular está a encher. Senti as pessoas a sair dos abrigos e a dizer, "temos direito a um pouco de sol".
Hoje decorreram as eleições "internas" no PS. Não restam dúvidas, a maré não apenas está a encher, como pode mesmo estar em "preia-mar".
Como tornei várias vezes pública, a minha opção foi António Costa. Mas saio apreensivo desta noite. Sei que aquilo que vou dizer é tudo menos simpático e popular, pelo contrário. Mas vou dizê-lo na mesma. António Costa saiu do Fórum Lisboa, onde estavam os seus, para ir ao Rato dar um abraço ao Jorge Coelho, que, no PS, por consenco entre os candidatos, presidiu às eleições.
Como muitos saberão, o Jorge Coelho foi um político da minha simpatia. Mas saiu da política para os negócios. E eu, como a maioria das pessoas que votaram António Costa, não confiam em quem se movimenta entre a política e os negócios.
Para os mais esquecidos, quando Guterres disputou, à direita, a liderança do PS a Sampaio, Jorge Coelho foi mandado avançar para a FAUL, de modo a impedir que António Costa, na altura um dito sampaista, ganhasse essa importante Federação (a qual, de resto, desde esse dia nunca mais foi a mesma). Seguro, Galamba e muitos outros eram na altura "homens de mão" de Jorge Coelho. Não me esqueço.
Depois da disputa entre Sampaio e Guterres o PS uniu-se e ganhou as eleições, governando até que Guterres declarou a existência do "pântano". Como o nosso cândido camarada Primeiro Ministro não foi explícito, eu acreditei que o pântano incluía a fuga precoce de António Vitorino de responsabilidades governativas e, mais tarde, na primeira oportunidade, de Jorge Coelho. Ambos foram tratar da vidinha, o que fizeram com sucesso pessoal. O país é que perdeu com a chegada da direita ao poder. Sócrates haveria de ganhar a maioria absoluta alguns anos mais tarde. Em boa hora, porque a política social, a polítia de educação, a política de ciência e de inovação deixaram marcas. Note-se porém que nem o inefável Vitorino nem o "organizador" Coelho estavam disponíveis para ajudar.
Posto isto, a MINHA PERGUNTA, DESCULPEM O INCÓMODO, É A SEGUINTE: O QUE FOI ANTÓNIO COSTA ABRAÇAR NO RATO?
O dirigente agora eleito, também com o meu voto, candidato do PS a Primeiro Ministro, disse-me em certa ocasião como era decsivo "saber escolher os amigos". Falava então com ele, Presidente da Câmara de Lisboa, sendo eu dirigente no Ministério da Educação, sobre a atitude de certos governantes em relação à Orquestra Metropolitana de Lisboa. Essa ideia não me sai da cabeça... Por isso insisto na questão; quem são os teus amigos, António Costa?
publicado por cafe-vila-franca às 22:59

Agosto 04 2014
Li ontem com algum cuidado a longa entrevista de António José Seguro, secretário-geral do partido em que milito, o PS, ao Público. Mesmo confessando-se "liberto" de constrangimentos que o impediam de dizer tudo o que pensava (mas alguém alguma vez o faz?), continua a revelar aquilo que tem caracterizado a sua liderança: falta-lhe em ambição, em rasgo e em visão sistémica o que lhe sobra em cálculo político, em banalidades não comprometedoras nos assuntos delicados, em gestão de apoios eleitorais. Isto é, procura concitar apoios não cometendo erros, o que o impede - não sei se por limitações próprias se por cálculo político - de avançar com propostas de rutura, de mudança real, de procura da adesão pelo entusiasmo a um projeto inovador.
Mesmo a bondade da ideia da "industrialização", não passa na realidade de uma banalidade, de resto simplista em demasia face às dinâmicas económicas dos nossos dias. Nem se percebe como se conseguirá promovê-la. Mas concedamos que é uma ideia, embora qualquer um a pudesse subscrever, do PCP ao CDS-PP. O resto são ataques pessoais (ataques políticos, não ao caráter, tem o cuidado de explicar, não vá ser acusado de cometer algum pecado) e lugares comuns.
Há porém na entrevista uma curta passagem esclarecedora em relação à lógica conservadora e eleitoralista do modo de fazer política de AJS. É quando diz que, entre os serviços prestados ao PS, se conta a Presidência da Comissão de Educação na AR quando o primeiro governo de José Sócrates se tinha envolvido num complicado conflito com os professores. Esta declaração, coerente em relação ao comportamento de distanciamento de AJS em relação ao trabalho desse governo, revela muito do estilo e da capacidade do atual Secretário-Geral do PS.
Na área da educação esse foi o governo que combateu os horários zero, que modernizou o parque escolar e os equipamentos (incluindo informáticos) das escolas, que criou as AEC, que criou a Iniciativa Novas Oportunidades, que dotou milhões de portugueses de acesso às TIC, que reformou o ensino das artes e em particular da música, que inovou nos Programas de Matemática e Português do ensino básico, que fez expandir para níveis antes inimagináveis a educação profissional, que atuou a fundo nas questões da relação entre o Ministério e as autarquias, que promoveu a autonomia das escolas, que tentou estruturar a profissão docente e introduzir a avaliação a todos os níveis do sistema, entre muitas outras realizações.
Seguramente, estas políticas e muitas outras que me escuso de relembrar (umas muito bem sucedidas, outras com arestas a limar ou falhas a corrigir), colidiram com interesses instalados e provocaram controvérsia e contestação entre alguns setores docentes (quiçá capazes agora de compreender o que estava em causa e mudar de opinião, depois do que viram com Crato).
Tais políticas fizeram diminuir drasticamente o abandono escolar precoce, fazeram milhões de jovens e adultos permanecer mais tempo na escola ou regressar a ela, colocaram Portugal numa posição radicalmente diferente em termos das competências dos alunos, tal como eles são medidos pelo PISA, pelo TIMMS e pelo PIRLS, entre muitos outros resultados de grande relevo. Os quais permitiram mesmo tornar realista a lei da escolaridade obrigatórias até aos 18 anos. Estes avanços são objeto de ódio do atual governo, que procura desmantelar a todo o custo e de todas as formas a escola de sucesso para todos.
Mas António José Seguro, pelos vistos, não vê nelas mais do que medidas que provocaram "conflito com os professores". Com mais rigor diria com os sindicatos dos professores.
Custo que, pelos vistos, AJS não estará disposto a pagar. O mesmo é dizer que, para assegurar apoios eleitorais, se recusará a promover as reformas de que o país, e em particular a economia e o estado social, carecem, mas que podem colidir com interesses e gerar situações de conflito . É esta ambiguidade que torna vazio o discurso de Seguro. Calculismo eleitoral, vitória eleitoral nem que seja pelos mínimos, é o que interessa, evitando todos os possíveis conflitos com os interesses corporativos que impedem a modernização do país.
Creio que Portugal precisa de um PS com coragem, com visão e com capacidade de inovar. Precisa de outro Secretário-Geral para o PS.
publicado por cafe-vila-franca às 15:48

Maio 28 2014
Finalmente uma novidade: António Costa é candidato à liderança do PS e, portanto, a Primeiro-Ministro.
Há muito muitos clamavam por esta solução messiânica que os resultados eleitorais tornaram inevitável.
O país piorou em todos os domínios, desde a economia à pobreza, passando pelo desemprego, pela educação, pela saúde, pela justiça, pela segurança social e pela segurança pública, pelos défices e pelas contas públicas e, para cúmulo, pelas questões da soberania. Não seria de esperar menos do que um grande descontentamento popular. Que não tem sido canalizado para protestos na rua (o PCP fez o seu trabalho de partido do sistema), mas que teria de se manifestar nas urnas.
Já se sabia que o voto seria (e será sempre, no futuro) condicionado pela comunicação social e pelos interesses dos patrões que a determinam, ao mesmo tempo que determinam os discursos dos partidos do chamado "arco da governação". Mas as pessoas não são estúpidas e haveriam de manifestar a sua posição. Essa poderia ser expressa através da abstenção ou do voto contra as políticas de austeridade, ou por ambos, como aconteceu.
A abstenção atingiu níveis nunca antes vistos, o que, a meu ver, significa que muita gente entendeu que não valeria a pena votar nos partidos da oposição para manifestar o seu descontentamento.
Descontentamento ineludível: o PSD/PP nem sequer foi capaz de beneficiar do voto "interessado" dos que babujam à volta das migalhas do poder. Não sei como podem dizer que a situação "ficou em aberto". Com vergonha, a única coisa aberta que se lhes apresenta é a porta da rua.
O PS foi incapaz de assumir uma proposta política alternativa, assente nos valores da igualdade, da justiça social, da liberdade e do progresso. Ficou-se por generalidades sobre a alternativa austeridade/crescimento, com muito cuidado para não se colar a fosse o que fosse que o governo de Sócrates tivesse feito, e deixando sempre aberta a porta a uma possibilidade de ir para para o governo com um dos partidos do atual bloco de direita. Por isso não descolou nas eleições, nem foi capaz de exprimir os interesses dos descontentes, que são quase todos os cidadãos de classes médias e populares e, arrisco a dizer, até de certos setores da burguesia descomprometidos com a voragem do sistema bancário (está claro que haverá sempre uma reserva de fieis e um setor de lumpen-eleitores dispostos a votar no mais miserável e despótico dos poderes).
Ao PCP a fé inamovível dos militantes, num quadro de redução do número de eleitores, traduziu-se num resultado positivo. Mas trata-se de um resultado sem saída, sem alternativa política de governação, construído na mera defesa de fronteiras, razão pela qual elegeu o PS como inimigo principal, o que de resto não é novidade.
O Bloco inchou, no passado, como um sapo a quem puseram uma ganza na boca. Os mais ingénuos dos betinhos (que giros, os "meninos rebeldes" da mamã e do papá) alimentaram esperanças nos "amanhãs que cantam", mas a realidade da política pôs a nu a sua inutilidade ao persistir numa posição de recusa de qualquer compromisso para a governação. Tem vindo aos trambolhões e vai parar ao lugar de onde nunca deveria ter saído, atrás do PCTP/MRPP.
Ganharam, em Portugal (na Europa há casos bem mais sérios, que serão os que terão de merecer a nossa maior atenção), os pequenos partidos de esquerda e o, até agora, popular "anti-políticos" (não confundir com populista) Marinho e Pinto. Aspira a, no futuro, ser um partido necesario para a constituição de maiorias.
Os principais partidos não quiseram ler os resultados. Os do governo insistindo na ideia de que a derrota é inconclusiva e recuparável na "segunda volta", a decisiva. O PS batendo na tecla, como se o repetir da frase a tornasse verdadeira, de que a única conclusão a retirar é a de que ganhou. O PCP insitindo na missa do costume e o BE com a desorientação a que nos vem habituando, e a que apenas a atitude bem mais pragmática e razoável do "livre" pode por termo. O nó teria de se desatar.
É, assim, sem surpresa que vejo avançar António Costa para a disputa da liderança no PS. Como se numa sala irrespirável pelo bafio se abrisse uma janela. Como se uma nova brisa viesse refrescar o ambiente. Espero que não desiluda as expectativas. E que o PS pense mais nos interesses do país do que no dos tachistas que já contavam lugares no aparelho de um poder sustentado numa coligação com a direita. Finalmente, a coisa tornou-se interessante deveras.
publicado por cafe-vila-franca às 00:08

Dezembro 08 2013

O PISA (não confundir com Pisa, cidade italiana onde existe uma bela torre inclinada) é um estudo internacional realizado em cerca de 60 países da OCDE que visa medir o que os jovens de 15 anos realmente sabem e a que nível sabem usar (as tarefas que conseguem completar) os seus conhecimentos na área da matemática, da leitura e das ciências. Independentemente dos níveis de escolaridade atingidos. Existem outros estudos do mesmo tipo realizados regularmente pela OCDE.  Dirigidos a crianças mais jovens, com o 4º e o 8º no de escolaridade, existem o TIMMS na área da matemática e das ciências e o PIRLS para a área da leitura. Ainda da responsabilidade da OCDE é o PIAC, o estudo que avalia as competências dos adultos, em que Portugal participou no passado, mas que Crato decidiu sair na última série à última hora, obviamente com medo daquilo que o estudo iria pôr em evidência sobre os impactos da Iniciativa Novas Oportunidades nas aprendizagens e competências de mais de um milhão de portugueses.

Como se disse, o PISA avalia as competências efetivamente possuídas pelos jovens , com base numa escala que varia entre 1, que representa graves défices, e o nível 5, que representa níveis de excelência. Assim, podem-se não apenas calcular valores médios, mas também a prevalência dos valores extremos e a distribuição dos jovens pelos cinco níveis da escala em cada um dos domínios (leitura, matemática e ciências).

Estes estudos têm um grande interesse, razão pela qual os seus resultados têm tanto eco mediático, político e na comunidade educativa. Em primeiro lugar, ao comparar os resultados da aprendizagem em praticamente todos os países desenvolvidos do mundo, permite obter uma imagem do nível de desempenho do sistema de ensino de cada um desses países e estabelecer comparações relevantes. O desempenho é avaliado não apenas em sentido absoluto, mas de forma mais fina, por exemplo mostrando até que ponto o sistema de educação de cada país é capaz de atenuar as desigualdades de origem social dos alunos. Em segundo lugar, como a sua realização é repetida numa série longa de anos, pode-se obter não apenas uma imagem da estrutura das qualificações dos jovens, mas também a sua evolução.

Os resultados das últimas vagas do PISA têm sido muito positivos para Portugal. Ao contrário dos exames que se realizam no país, os quais mostram resultados piores, não porque os alunos sejam menos sabedores, mas porque são feitos de modo a evidenciar o que eles não sabem, ou melhor, o que apenas uma parcela deles, muito privilegiada, domina, desvalorizando assim as capacidades dos alunos médios. A OCDE, por seu lado, afirma serem as “repetências” um dos principais problemas da nossa educação e um dos obstáculos ao sucesso dos alunos com maiores desvantagens de partida.

Em 2000, 2003 e 2006 os resultados de Portugal colocavam-nos na cauda dos países participantes, ao pé da Turquia e do México. Agora estamos perto, ou até acima, da França, da Alemanha, da Suécia ou da Bélgica. Éramos dos piores, passamos para os níveis médios, junto dos maiores e mais ricos países europeus.

Assim, em matemática, a média portuguesa era 454 em 2000, subiu ligeiramente para 466 em 2003 e 2006, tendo depois saltado para 487 em 2009 e 2012. Em leitura, os resultados médios foram de 470, 478 e 472 respetivamente em 2000, 2003 e 2006, subindo para 489 em 2009 e 488 em 2012. Já no caso das ciências, fomos subindo de 459 em 2000, para 468 em 2003 e 474 em 2006, tendo-nos o salto para 2009 colocado no patamar de 493, valor que desceu ligeiramente para 489 em 2012.

Os resultados em matemática subiram 21 pontos percentuais entre 2003/2006 e 2012, os de leitura e ciências  15 pontos. A proporção de alunos com níveis mais baixos em matemática e ciências (níveis 1 e 2) desceu 5pp. no período 2006/2009-12 e os que se situam no nível mais elevado cresceu 5,5pp em matemática, 2,4 em leitura e 3,4 em ciências.

Além da melhoria dos resultados em geral, os estudos do PISA surpreenderam ao mostrar que Portugal é um dos países em que o sistema educativa se revela mais eficaz na minimização dos efeitos que a origem social dos jovens tende a produzir no seu desempenho e oportunidades de aprendizagem. Na verdade, o estudo inclui um Índice de Estatuto Económico, Social e Cultural que em 2009 colocava 33,5% dos inquiridos nos níveis mais baixos da escala social, o que não impediu a progressão registada. Em 2012 a situação económica, social e cultural tinha-se agravado (39,8% dos jovens no nível inferior, quando a média na OCDE era de 15,4%), o que reforça a conclusão tirada. A posição de Portugal quanto aos resultados dos alunos mais pobres em matemática passou, entre 2006 e 2012, de 23º para o 5º lugar, entre todos os países participantes.

Portugal deu portanto, como os dados revelam, um grande salto entre 2006 e 2009, o que provocou elogios explícitos por parte da OCDE. Alguns dos críticos da política educativa, que nessa altura era protagonizada por Maria de Lurdes Rodrigues, apressaram-se a dizer que havia manipulação dos dados. Mas a confirmação desses resultados em 2012 vem revelar que essa acusação apenas mostrava má-fé.

Apesar de tudo, terá de ser levantada uma questão: porque não se continuou o percurso ascendente, tendo-se verificado uma estabilização e, até, algum recuo de pormenor? Para o fim do texto ensaiamos a resposta.

A que se deveu a mudança nos resultados do PISA? Posta a questão noutros termos, o que é que mudou entre 2006 e 2009? As escolas eram as mesmas, os professores também, os recursos idem e os jovens não seriam muito diferentes nos dois anos.

O que mudou foi a política. Mudou numa linha de maior continuidade do que rutura com as orientações que vinham do tempo de David Justino, mas acrescentando-lhes alguns elementos e principalmente a capacidade de passar das ideias no papel para a prática. Isso apesar da resistência dos interesses corporativos que dominam e minam o nosso sistema, aliados objetivos dos governantes reacionários que agora temos e que nos estão a fazer recuar para práticas educativas orientadas para os conteúdos e não para as competências, comuns há 50 anos atrás, mas que todos os países modernos abandonaram.

Entre 2009 e 2012, com a atual cratinice no governo, porque se mantiveram os resultados em níveis positivos? Porque os jovens que foram inquiridos em 2012 são ainda os que foram abrangidos pelas políticas implementadas entre 2005 e 2011. São os que beneficiaram do Plano Nacional de Ação para a Matemática, do Plano Nacional de Leitura, dos novos programas de matemática e português para o básico, do reforço do trabalho cooperativo entre professores nas escolas, do reforço do ensino experimental das ciências, do Plano Tecnológico, do reforço e alargamento (triplicação) da ação social escolar, do redimensionamento da rede escolar, da educação especial centrada nos alunos com necessidades educativas especiais de caráter permanente, da focalização na qualidade dos processos educativos orientados para resultados (e.g. a devolução aos professores dos resultados dos seus alunos nos exames e provas de aferição, de modo a poderem rever o seu trabalho), da avaliação não apenas dos alunos, mas também dos professores e das escolas, cuja autonomia entretanto se reforçou, num processo que apenas deu os primeiros passos. Isto apenas para citar uma parte do grande esforço feito então.

Face a estes resultados, qual a justificação do governo para introduzir tantas mudanças na educação como tem feito? O MEC tem vindo a pôr fim ao pouco que se tinha avançado no campo da autonomia das escolas (o ministério decide tudo centralmente, até o tamanho das turmas, anormalmente alto), decidiu-se pelo despedimento de professores, pelo fim de tempos letivos utilizados para desenvolver projetos integradores nas escolas, pelo aumento da dimensão das turmas, pelo fim ou desvitalização do PNL e do PNAM e de outros programas, pela substituição dos programas de português e de matemática por metas aberrantes ou por outros programas de fraca qualidade, criticados por todos os profissionais e especialistas do setor, que aliás nem sequer foram ouvidos. Degradou o ambiente nas escolas, instituiu uma mistura entre autoritarismo e falta de clareza (quando não a própria contradição) nas orientações como princípio de regulação do sistema, cortou em tudo menos no apoio às escolas privadas.

Do mesmo modo que os resultados do PISA agora são o produto das opções de há anos atrás, também os erros (nalguns casos a roçar o crime) do atual governo só se notarão daqui a alguns anos. Nessa altura já o miserável Crato estará fora de cena (hoje já seria tarde) e se calhar escapará à punição devida. Mas será ele, e o primeiro ministro, os responsáveis por um declínio que por enquanto apenas se ensinua na interrupção do trajeto ascendente, mas que daqui para a frente nos voltará a colocar nos patamares de 2000, 2003 e 2006.

Gostaríamos de terminar com duas curiosidades. Os resultados da Alemanha, semelhantes aos de Portugal, são de desconfiar. Há muito que nesse país se discute a bondade da prevalência do sistema dual. O mesmo que o governo agora quer trazer para o nosso país, embora não tenhamos quaisquer condições ou interesse nisso. A proporção dos alunos alemães nesse sistema tende a situar-se à volta dos 70% e a isso se têm atribuído resultados menos bons no PISA. Este ano melhoraram. Mas uma olhadela na composição da amostra revela que os alunos do sistema dual quase desapareceram. Estaremos perante uma amostra “mágica” para ocultar as deficiências do sistema?

O governo português também advoga aquilo que se tem chamado a “liberdade de escolha”, isto é, o financiamento pelo estado das escolas privadas que depois selecionam os seus alunos de modo a ficar só com os de classes mais favorecidas. Costumam os defensores desse processo de privatização dar o exemplo da Suécia como país que em 90 instituiu esse sistema. Pois foi. Será por isso que a Suécia, que se situava muitos furos acima de Portugal em 2000, tem vindo a perder terreno, tendo mesmo os jovens suecos sido ultrapassados pelos portugueses, de forma inequívoca, em 2012?

Uma nota final para os que acham que a educação não conta. Não vou mencionar Nelson Mandela e as suas declarações acerca do papel principal da educação na mudança do mundo. De forma mais modesta direi apenas que a OCDE, num relatório de 2010, estima que a produtividade por hora trabalhada dos portugueses poderia ser mais de 14% superior se a escolaridade da nossa população ativa tivesse um nível de escolaridade semelhante à dos EUA. São precisas mais evidências de que precisamos de voltar aos trilhos do sucesso educativo?

publicado por cafe-vila-franca às 13:53

Novembro 12 2013

A semana passada foi, para mim, cheia de paradoxos e incongruências. Talvez seja eu a ver mal o que se passa à minha volta. Se calhar a realidade está toda direitinha e seja eu que não consigo organizar a cabeça. Nesse caso, peço ajuda. Dou dois exemplos.

O Partido Socialista concelhio fez o balanço das eleições autárquicas. O que eu percebi das conversas sobre o assunto foi que os dirigentes paroquiais do PS só agora entenderam que as eleições neste concelho se disputam entre o PS e a CDU, coisa que eu venho repetindo há anos. Também não percebo outras duas coisas. Primeiro, porque é que o PS, depois de ter ganho a Câmara Municipal e duas freguesias, parece estar triste, como se tivesse perdido. Também não entendo porque é que os militantes do PS, reduzidos a pouco mais do que uma confraria de funcionários e eleitos do poder local, se digladiam para saber qual a freguesia que fez melhor ou pior campanha, se a culpa foi do PS nacional ou das secções, da conjuntura nacional ou do clima local, da comunicação social ou dos militantes que não apoiaram os candidatos, da JS ou do PS... sem nunca colocarem em questão a direção concelhia do Partido e, principalmente, a anterior presidente da Câmara, Maria da Luz Rosinha. Mal se ouve uma voz crítica e, se alguém ousa falar, cai-lhe logo tudo em cima. Mas como é que se pode fazer o balanço de um resultado eleitoral deixando passar os responsáveis máximos pelos pingos da chuva sem se molhar? A verdade porém é foi o trabalho da ex-Presidente da Câmara que foi posto em causa. É ela a responsável principal pelo divórcio entre os cidadãos e o sistema, porque optou pelo autoritarismo, pelo culto da personagem, pelo vilipêndio sobre os críticos e pela degradação do debate político que afastou os militantes do Partido e os eleitores das eleições. É responsável pelo resultado apenas sofrível do PS porque preteriu, ao longo dos anos, o fazer obra com visão estratégica em favor do licenciar obras, até ao esgotamento do território e à crise do setor da construção. Se houve obra feita, como se diz, foi a Obriverca e outros construtores que a fizeram, degradando a qualidade de vida no concelho. E ainda tem a lata de agora se candidata a chefe da concelhia do PS. Do que anda à procura? Com o apoio de quem? Porque não assume as responsabilidades e deixa este concelho respirar? Por favor, ajudem-me a esclarecer estas coisas raras e para mim incompreensíveis...

 

A semana terminou em grande, Sábado, no Ateneu Artístico Vilafranquense, na "Noite Musical Recordando Vasco Moniz". Foi bonita a festa, pá! Revi muitos amigos, embora também por lá tivessem estado muitos "amigos da onça". Conheço-os de ginjeira. Gostei particularmente da minha vizinha Amália Rodrigues, do Afonso Dias, do poema do "Chico" Braga, do Joaquim Alberto e do Grândola Vila Morena final (foi pena não ter lá estado o Fernando Castro). Como disse a nossa querida Piedade Silva no Facebook,"Parabéns à organização. Boas recordações do 34"! Fiquei confuso. Quem oficialmente estava a ser recordado era o Dr. Vasco Moniz, resistente ao fascismo, solidário e defensor da igualdade, o que o ligava, como tantos outros, aos valores do 34. Mas, ao contrário da cultura dominante nessa casa, como no Centro (depois cooperativa) Alves Redol ou na secção cultural da UDV, ele era um reformista, um amante da liberdade, um moderado (mas não menos corajoso do que os mais corajosos). Foi deputado à Constituinte eleito nas listas do PS, sem a mácula do oportunismo que se pode facilmente assacar  a outros que por lá têm andado. Daí pensar que a festa, bonita pá, me soou um pouco incongruente no título. Felizmente, porém, as dúvidas ficaram ontem desfeitas. Depois de um belo almoço com o meu irmão Tonica  a minha irmã Midete, percebi tudo. Pronto, fiquei tranquilo. A História não se repete, a generosidade daqueles tempos também não. Razões muito pragmáticas conferem sentido àquilo que ingenuamente pensei ser uma incongruência. Ou existem outras razões? Ajudem-me a compreender…

Pronto, agora vou dormir. Até amanhã "camarigueiros".

Vila Franca de Xira,11 de novembro de 2013. Viva o São Martinho!

publicado por cafe-vila-franca às 11:40

Outubro 11 2013

Agora que apenas resta o sempre divertido Festival do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira para terminar a parte taurina da nossa Feira de Outubro, sem querer entrar em polémicas estéreis, deixo aqui as minhas impressões - admitindo que outos pensem diferente - sobre que foi positivo e o que foi negativo. Pela positiva destaco:

1º       O encerro dos Palhas no Sábado, iniciativa corajosa  e de risco que resultou simplesmente espetacular;

2º       O grande momento que constituiu a corrida de terça. Com praça cheia e num ambiente festivo cheio de detalhes de grande sabor taurino e campero, António  Ribeiro Telles revelou a maestria que possui e mostrou ao mundo como se toureia a cavalo;

3º       António João Ferreira, com um valor estóico, perante um lote de muito más condições, para mais sem a sorte de varas, e apesar de somar nas últimas temporadas um número de corridas muitissimo abaixo do que merece, está mais maduro e não recuou um milímetro nos terrenos que pisa. Continua a merecer todo o nosso apoio e carinho.

4º       Num plano elevado na interpretação do toureio equestre com verdade, hoje tão raro, situou-se também Vitor Ribeiro. Surpeendeu-me pela positiva.

5º       Os forcados da nossa terra, apesar de uma ou outra pega menos conseguida, voltaram a mostrar porque são o melhor grupo, mais coeso, com mais toreria e capacidade para resolver qualquer papeleta com brio e valor.

6º       O convívio nas tertúlias, cada vez mais numerosas e com mais gente jovem que não quer presumir, que gosta da festa, da terra e de se divertir. As novas tertúlias de gente jovem estão a criar um bom ambiente em Vila Franca.

 

Mas infelizmente não há bela sem senão. E aquela que já foi a mais importante feira taurina do país teve. a meu ver, alguns, como os seguintes:

1º       As esperas de toiros continuam sem a reforma que se impõe. Em nome da tradição, alguns que se esquecem que aquilo que hoje é tradicional foi fruto de inovaço ainda há apenas alguns anos atrás, estão a contribuir para afundar aquele que é um dos maiores símbolos da nossa terra. Para mais, os incidentes ocorridos no fim da espera de 4ª feira com o Camané Alvarenga revelam que quem diz algumas verdades e põe o dedo na ferida corre o risco e ser agredido. Um ou outro toiro serviu, mas tudo o que se anda a passar é lamentável. E o pior é que os responsveis nada fazem para acabar com os desmandos de quem não serve, mas se serve da festa. É preciso que nas esperas em Vila Franca se volte a pôr a verdade por diante, porque festa sem verdade e sem emoção não é festa e as pessoas acabarão por se afastar.

2º       Os toiros da corrida de Domingo. Há que cuidar de outra maneira do toureio a pé.

3º       Muito pouco público nas corridas de sábado e domingo. É certo que há crise, que se calhar 3 corridas é muito, mas isso não explica tanto cimento à mostra na Palha Blanco. Creio que a Empresa Tauroleve merecia outra resposta do público.

4º       A Escola José Falcão, ao que sei, continua o seu trabalho. Durante muitos anos foi organizado, na 4ª feira, um espetáculo de balanço da temporada, em que se mostravam os jovens que estavam a despontar. Qual a razo pela qual deixou de se realizar esse espetculo? Acho que merecemos uma resposta de quem a possa dar.

 

Para o ano há mais. Temos de aproveitar o bom, tentar corrigir o menos bom e erradicar o que está mal. Por Vila Franca.

publicado por cafe-vila-franca às 10:42

No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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