Novembro 06 2018

Escrevi hoje no Público online as seguintes palavras, que quero deixar registadas com direitos de autoria, porque nunca vi enunciada esta ideia: “se postularmos que os homens e os outros animais – ainda que apenas os sencientes – são iguais nos seus direitos, não estaremos a defender a civilização. Antes pelo contrário, estaremos a promover a selvajaria. Os animais, mesmo os neurologicamente mais dotados, não podem controlar por si próprios e de sua livre vontade os instintos que comandam o seu comportamento. Ora, é precisamente de controlo dos instintos que se fala quando se fala de civilização. Não se podendo elevar os animais não humanos a esse nível que apenas a cultura e a razão permitem, só pode haver igualdade baixando os homens e as mulheres à sua condição animal pura e dura, isto é, a um estado de selvajaria absurdo, mas a que alguns nos querem conduzir”.

Gostaria de acrescentar agora que uso o termo civilização no sentido que Norbert Elias deu ao conceito de processo civilizacional.

Simplificando os meus argumentos, só há duas maneiras lógicas de conseguir a igualdade entre homens e animais: ou elevando a condição animal ao estatuto de humanidade, ou fazendo descer a humanidade ao estado senciente dos animais. O encontro a meio caminho não existe.

A primeira maneira de promover essa igualdade, elevar os animais à condição humana, só é possível na imaginação e no plano simbólico. Nas fábulas e em metáforas nas quais os animais são humanizados, como acontece, por exemplo, na chamada “cultura Disney”. O problema é que há pessoas que tomam a imaginação e o símbolo pela realidade. Por isso o dano da humanização dos animais não é menor do que a animalização humana: perdem-se as referências e as fronteiras, dilui-se o sentido humanista da vida e torna-se possível toda a barbárie.

A segunda maneira, como disse acima, leva à selvajaria e ao fim da civilização. Não é uma impossibilidade material. O homem chega por vezes a limites que o animalizam, fazendo recuar a civilização. O nosso quotidiano está cheio de exemplos desse fenómeno, de que a História fornece inúmeros exemplos, alguns dos quais, como o do Partido Nazi, convivem com a defesa da proteção dos animais. Em qualquer dos casos, o perigo do animalismo é evidente e o seu combate é um combate pela civilização.

publicado por cafe-vila-franca às 23:51

Nem mais, nós humanos somos superiores e temos de subjugar todos os outros seres, aliás, eles só existem para nos servir, seja para comida ou divertimento!

Mas claro que temos de lutar pela sua preservação para que esse divertimento não nos falte, por isso deviam haver "touradas" com todos os animais que estão em vias de extinção!

Devíamos espetar farpas neles todos como tão bem retratado neste vídeo: https://www.facebook.com/PorFalarNoutraCoisa/videos/249864455682871/
Civilizado a 7 de Novembro de 2018 às 22:32

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No Café Vila Franca, como nos cafés da trilogia de Álvaro Guerra, os personagens descrevem, interpretam e debatem a pequena história quotidiana da sua terra e, com visão própria, o curso da grande história de todo o mundo.
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